
Última modificação em 1 de novembro de 2026 às 14:38
A seca prolongada e o avanço dos incêndios florestais têm causado prejuízos a produtores rurais em Roraima. A combinação de altas temperaturas e falta de chuva afeta a floração das plantas. Sem flores, as abelhas ficam sem néctar e pólen, o que compromete a sobrevivência dos enxames e reduz a produção de mel.
O apicultor José Pinheiro mantém criação na zona rural de Boa Vista e relata que parte dos enxames fugiu para outras regiões. Com menos abelhas, ele precisou retirar caixas de captação, o que derrubou ainda mais o rendimento. A produção caiu 80%.
“Nos meus apiários, eu já cheguei a produzir até cinco toneladas de mel. Hoje, só estou tirando uma tonelada”, afirma.
Boa parte das criações em Roraima fica no lavrado. A vegetação seca facilita o avanço do fogo, que ameaça queimar colmeias e matar os insetos. “Quando pega fogo nesse lavrado, não tem como a gente apagar. A labareda é muito forte”, relata José.
Na mesma região, o apicultor Anderson Freitas perdeu mais de 20 caixas após um incêndio destruir uma propriedade de 200 hectares. O fogo começou após o escapamento de um carro encostar na vegetação seca e consumiu as colmeias, o veículo e uma carretinha de transporte.
“É um sentimento muito ruim, ver tudo se acabar e não poder fazer nada. Tive que me afastar e preservar minha vida, porque não conseguia apagar aquele fogo”, lembra.
Agricultura também sofre
A estiagem também atinge agricultores que não conseguem água para manter as plantações. Na zona rural de Boa Vista, o prejuízo alcança roças de tomate, milho e couve. O agricultor Carlos Pereira investiu cerca de R$ 12 mil no cultivo de tomate, mas perdeu grande parte da safra.
“Se continuar mais cinco ou seis meses de verão, eu vou parar. Sem água, não tem como produzir”, diz.
Situação de emergência
Devido ao agravamento da estiagem, o Governo de Roraima decretou situação de emergência em setembro e criou um gabinete para coordenar o combate aos incêndios e reduzir os impactos da falta de chuva.
Segundo o diretor executivo da Defesa Civil Estadual, coronel Cidinei Lima da Silva, a previsão de um fenômeno El Niño mais forte entre novembro e dezembro aumenta o alerta.
“Os municípios de Iracema, Cantá e Normandia já decretaram situação de emergência. Estamos apoiando com reforço de materiais, como kits de combate, ferramentas e bombas abafadoras”, afirma.
O cenário mais crítico está no centro-norte do estado, principalmente nas áreas de lavrado. Em outubro, Roraima registrou cerca de 360 focos de calor, número próximo da máxima histórica para o mês, de mais de 400 focos em 2023.
Como prevenção, equipes do governo orientam produtores sobre os riscos do uso do fogo para limpeza de terrenos durante o período.
Fonte: g1RR