Última modificação em 14 de agosto de 2026 às 08:30
Em julho foram registrados 40 focos, o maior número para o mês na série histórica; até esta quinta-feira (13), já eram 46 focos, número próximo ao de agosto de 2015, ano do último super El Niño

Roraima não teve transição entre o período chuvoso e a seca deste ano. O estado já sente os primeiros efeitos do El Niño e enfrenta aumento de focos de calor.
Em julho foram registrados 40 focos, o maior número para o mês na série histórica. Até esta quinta-feira (13), já eram 46 focos, número próximo ao de agosto de 2015, ano do último super El Niño.
O alerta foi feito pelo comandante-geral do CBMRR, coronel Anderson de Carvalho, em entrevista a uma rádio nesta quinta-feira. “É um cenário que eu inicio dizendo que é preocupante. Nós não tivemos transição do inverno para o verão. Estamos praticamente com duas operações simultâneas”, afirmou.
Entre maio e junho, as chuvas ficaram acima da média em vários municípios e levaram à decretação de situação de emergência com reconhecimento federal.
Enquanto essa operação é desmobilizada, o gabinete de crise montado no Corpo de Bombeiros, por determinação do governador Soldado Sampaio (Republicanos), já se prepara para a seca.
Projeção é de El Niño forte até 2027
Segundo o coronel, o aquecimento das águas do Pacífico está entre 1,8°C e 2°C. Dados da NOAA e do Inpe indicam 80% de chance do El Niño atingir o pico entre novembro e janeiro, período que coincide com o verão em Roraima.
O Boletim nº 2 do Painel El Niño 2026-2027, do Inmet, aponta 100% de probabilidade do fenômeno seguir ativo até o início de 2027, com potencial “muito forte”.
O documento prevê aumento de incêndios florestais em Roraima entre dezembro de 2026 e abril de 2027 e chuva até 50mm abaixo da média em algumas áreas.
Impacto no campo e decreto de emergência
Na semana passada, o CBMRR, a Defesa Civil, a Femarh e a Seadi se reuniram com o setor produtivo, a pedido da Aprosoja. Produtores relataram queda na produção de grãos e impacto na pecuária e na economia.
O Ministério do Meio Ambiente já declarou emergência ambiental na Amazônia. “O Governo do Estado tende a seguir também a partir de setembro esse decreto, porque, de fato, se caracteriza já com esses impactos no setor produtivo, que pode ter perdas de até 50%”, disse Anderson.
O decreto agilizará processos e facilitará linhas de crédito. Nos próximos dias o governador deve lançar a operação estadual, com secretarias e órgãos federais.
Ações de prevenção e crise hídrica
O plano de contingência e de combate a incêndios florestais já está pronto. O CBMRR mantém brigadistas contratados e faz visitas preventivas em Boa Vista e zona rural.
O calendário de queimadas segue aberto, mas as autorizações serão suspensas no período crítico. A Defesa Civil monitora por meio dos sistemas Spark e Ignis, integrados ao painel do Censipam.
O nível do rio Branco está bem abaixo da média. “Essa crise hídrica é o que mais nos preocupa: o abastecimento de água para as pessoas, para os animais e para a agricultura”, destacou o comandante.
O Estado ampliou contratos de caminhões-pipa, mantém poços artesianos em áreas afetadas e conta com apoio da Caer na distribuição de água. “99% dos incêndios em vegetação em Roraima são causados pelas pessoas. O El Niño cria as condições, mas não inicia o fogo”, alertou Anderson.
Fonte: Secom-RR