
Última modificação em 28 de setembro de 2026 às 17:22
Roraima registrou queda de 22,8% na taxa de homicídios entre 2023 e 2024, segundo o Atlas da Violência 2026, elaborado pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) e pelo FBSP (Fórum Brasileiro de Segurança Pública). O índice caiu de 36 para 27,8 homicídios por 100 mil habitantes no período.
O levantamento também aponta redução na taxa estimada de homicídios. Entre 2023 e 2024, a queda foi de 16,5%, enquanto, na comparação entre 2019 e 2024, chegou a 39,3%. A estimativa considera casos que podem não ter sido inicialmente classificados como mortes violentas intencionais.
Os indicadores são acompanhados pelo Governo de Roraima e utilizados como referência para ações institucionais e formulação de políticas públicas. Segundo a delegada-geral Simone Arruda, a redução está relacionada ao trabalho de investigação, à capacitação dos servidores e ao desenvolvimento de metodologias específicas para a apuração de homicídios.
Investigações e mandados
Dados da Delegacia Geral de Homicídios (DGH) mostram o aumento no cumprimento de medidas judiciais. Foram 16 mandados de prisão e 29 de busca e apreensão em 2024; 34 de prisão e 74 de busca e apreensão em 2025; e, até agosto de 2026, 34 de prisão e 54 de busca e apreensão.
No mesmo período, a DGH contabilizou 95 homicídios em 2024, 104 em 2025 e 63 até agosto de 2026. A unidade mantém equipes de plantão 24 horas para atender ocorrências de homicídio, feminicídio e latrocínio. O trabalho inclui preservação do local do crime, levantamento de informações, coleta de vestígios e atuação conjunta com equipes de perícia.
Quando não há prisão em flagrante, as investigações continuam a partir da análise das provas e dos elementos coletados, em articulação com o Ministério Público e o Poder Judiciário. De acordo com o delegado Thiago Alexandre, as diligências iniciais são essenciais para identificar suspeitos e reunir provas técnicas.
A atuação também envolve unidades especializadas, como a Delegacia de Repressão ao Entorpecente (DRE) e a Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco), especialmente em casos relacionados a organizações criminosas. As investigações podem resultar em bloqueio de ativos e apreensão de veículos, drogas e armas.
Dados e tecnologia
No Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), DGH e Draco atuam de maneira complementar. A DGH concentra as investigações de crimes violentos letais, consumados ou tentados, enquanto a Draco atua nos casos relacionados a organizações criminosas.
O cruzamento de dados sobre homicídios e atuação de grupos criminosos permite identificar padrões, características e possíveis vínculos entre crimes e investigados. A qualificação das equipes também integra a estratégia, com capacitações voltadas às técnicas de investigação e coleta de provas.
Nos últimos três meses, uma força-tarefa movimentou mais de 300 inquéritos policiais, dos quais mais de 120 foram concluídos.
A Criminalística também utiliza recursos tecnológicos para ampliar a análise de vestígios. O banco de dados balístico permite relacionar ocorrências a partir das características das armas e dos materiais encontrados durante as perícias. Em 2026, a ferramenta relacionou cinco homicídios atribuídos a integrantes de organização criminosa ao uso da mesma arma de fogo.
Boa Vista
Na capital, a redução também foi registrada. Boa Vista apresentou taxa estimada de 20,4 homicídios por 100 mil habitantes em 2024, uma queda de 36,1% em relação a 2023 e de 53,4% na comparação com 2019.
O índice ficou abaixo da média das capitais brasileiras, de 26,6 homicídios por 100 mil habitantes.
O Atlas da Violência ressalta, porém, que os dados devem ser interpretados com cautela devido às Mortes Violentas por Causa Indeterminada (MVCI). Por isso, o levantamento apresenta também estimativas que consideram possíveis homicídios inicialmente registrados em outras categorias.
Fonte: Secom-RR