
Última modificação em 14 de abril de 2026 às 08:57
O cultivo de café em Roraima registrou um crescimento superior a 1.000% nos últimos três anos, passando de 3,5 hectares para quase 41 hectares de área plantada. O avanço, impulsionado por tecnologia e adaptação de variedades, projeta um cenário promissor para a economia rural do estado, especialmente entre pequenos produtores.
De acordo com o Instituto de Assistência Técnica e Extensão Rural (Iater), a expansão representa não apenas aumento de área, mas também diversificação produtiva e novas oportunidades de renda no campo. O movimento ganha ainda mais simbolismo nesta terça-feira (14), quando é celebrado o Dia Mundial do Café.
Segundo o presidente do Iater, Marcelo Pereira, o crescimento da cafeicultura em Roraima é resultado de parcerias com instituições de pesquisa, como a Embrapa, além de universidades e produtores locais.
“Identificamos que o café é viável em Roraima, inclusive com experiências anteriores em comunidades indígenas, como a Mangueira, em Alto Alegre, e o Kawuê, onde o café Imeru já recebeu premiação nacional. A partir disso, o interesse cresceu e passamos a mapear áreas com potencial produtivo”, destacou.
Predominância do Robusta Amazônico
Antes associado a regiões de clima mais frio e altitude elevada, o café passou a ganhar espaço no estado com o desenvolvimento de variedades adaptadas às condições amazônicas. O destaque é o Robusta Amazônico, que já ocupa 31,5 hectares e se consolidou como a principal cultura cafeeira local.
Outras variedades, como Conilon e Arábica, somam juntas 10,9 hectares. Ao todo, Roraima conta com cerca de 98,7 mil pés de café distribuídos entre 57 produtores.
Potencial econômico e desafios
Além da expansão da área plantada, o café tem despertado interesse pelo potencial de rentabilidade. Segundo o Iater, uma produção em torno de 50 hectares já seria suficiente para abastecer o consumo interno, abrindo margem para exportações.
Por ser uma commodity com preço atrelado ao dólar, o café pode garantir ganhos competitivos tanto no mercado nacional quanto internacional.
Apesar das перспективas positivas, a atividade ainda enfrenta entraves, como logística de escoamento, distância dos grandes centros consumidores, necessidade de infraestrutura e acesso à tecnologia. O custo inicial de implantação e o tempo até a primeira colheita — que pode chegar a 18 meses — também exigem planejamento por parte dos produtores.
Perspectivas de crescimento
A expectativa é que a produtividade alcance até 100 sacas por hectare. O Iater projeta ainda a expansão da área plantada para 120 hectares no curto prazo, com foco em sistemas tecnológicos e sustentáveis.
A meta é consolidar a cafeicultura como alternativa segura de renda, especialmente para agricultores familiares, além de fortalecer toda a cadeia produtiva — da lavoura à mesa do consumidor.
Com o avanço do setor, Roraima começa a se posicionar como uma nova fronteira do café no Brasil, agregando valor à produção local e ampliando oportunidades no campo.
Fonte: Folha de Boa Vista