
Última modificação em 8 de agosto de 2026 às 10:56
O desmatamento na Amazônia caiu 36,87% entre agosto de 2025 e julho de 2026. No período, o Sistema Deter do Inpe registrou 2.874,38 km² sob alerta. É o menor valor da série histórica, iniciada em 2016.
No ciclo anterior, a área sob alerta na região foi de 4.495 km². O número atual também está 55,6% abaixo da média dos últimos 10 ciclos, de 2015/2016 a 2025/2026.
Os dados foram divulgados nesta sexta-feira, 7, pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), em São José dos Campos (SP). A apresentação coincidiu com os 65 anos do instituto, completados em 3 de agosto.
Cenário por estado
Os maiores volumes de alertas na Amazônia foram:
- Pará: 987,27 km² – queda de 25,5%;
- Mato Grosso: 834,41 km² – queda de 49%;
- Amazonas: 433,9 km² – queda de 46,7%;
- Roraima: 272,6 km² – alta de 32,5%;
- Acre: 153,8 km² – queda de 35,3%;
- Rondônia: 114,3 km² – queda de 41,2%.
Cerrado também recua
No Cerrado, o Deter apontou redução de 7,8%. Foram 5.119,46 km² identificados entre agosto de 2025 e julho de 2026. Diferente da Amazônia, a maior parte das áreas desmatadas no bioma é de propriedade privada.
O Deter usa imagens de satélite para detectar alterações na cobertura vegetal em tempo real. Os alertas ajudam órgãos ambientais a agir com mais rapidez.
Dados do Prodes para 2025
O Prodes, que mede a taxa consolidada anual, mostrou queda de 20,1% no desmatamento em todo o Brasil em 2025 na comparação com 2024. A redução ocorreu em todos os biomas.
As maiores quedas foram no Pantanal, com -65,4%, e no Pampa, com -41,7%. Na Caatinga a queda foi de 34,3%, na Amazônia de 15,8% e no Cerrado de 11,5%.
Lula comenta os números
O presidente Lula (PT) participou do evento e usou os dados como resposta às tarifas dos EUA. “Eu vim fazer do aniversário de 65 anos do Inpe a minha bandeira de defesa contra os tarifaços dos Estados Unidos contra o Brasil. Agora, em cada correspondência que a gente mandar para os Estados Unidos, a gente manda os dados do Inpe”, disse. “Ninguém, nem os Estados Unidos, levam a questão climática a sério como leva o Brasil”.
Repercussão
O Observatório do Clima chamou os números de “históricos”. “Provam que é plenamente possível cumprir o compromisso assumido pelo país de zerar e reverter o desmatamento até 2030”, afirmou Marcio Astrini.
Para o Ipam, os dados indicam “consolidação da redução”. “Prova que é possível reduzir o desmatamento na Amazônia, mesmo com todas as adversidades como as mudanças climáticas e o El Niño”, disse Ane Alencar, diretora de Ciência.
Fonte: Agência Brasil