
Última modificação em 10 de março de 2026 às 11:53
O Brasil pretende ampliar parcerias com países europeus para a exploração de minerais críticos e terras raras, recursos considerados estratégicos para a transição energética e para setores de alta tecnologia. A informação foi apresentada pelo embaixador do Brasil na Alemanha, Rodrigo Baena Soares, durante entrevista coletiva realizada em Hannover, no norte da Alemanha.
O encontro ocorreu durante um evento de apresentação da Hannover Messe, considerada a maior feira de tecnologia industrial do mundo, que será realizada entre os dias 20 e 24 de abril. Nesta edição, o Brasil participará como país parceiro.
Segundo o diplomata, os países europeus são vistos como parceiros importantes nesse processo, especialmente no contexto de maior aproximação entre os blocos econômicos após o acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia. No entanto, o governo brasileiro defende que a cooperação inclua transferência de tecnologia e participação da indústria nacional na cadeia produtiva.
“É muito importante que não tenhamos um esquema tradicional de apenas exportar minerais brutos”, afirmou Baena Soares. “Precisamos pensar na agregação de valor no Brasil, fazer parte da cadeia de suprimentos e garantir transferência de tecnologia.”
O embaixador destacou que o país possui grandes reservas desses recursos estratégicos, especialmente de terras raras, mas ainda não figura entre os principais produtores e refinadores no cenário global. Ele afirmou que já mantém diálogo com autoridades alemãs sobre possíveis parcerias tecnológicas.
Minerais estratégicos
Os chamados minerais críticos são essenciais para áreas como energia limpa, tecnologia e defesa. Entre eles estão elementos como lítio, cobalto, níquel, grafita, cobre, manganês, nióbio e as terras raras, grupo formado por 17 elementos químicos utilizados na fabricação de equipamentos de alta tecnologia.
Dados do Serviço Geológico do Brasil indicam que o Brasil possui cerca de 94% das reservas mundiais de nióbio, além de ser o segundo maior detentor de grafita, com 26%, e o terceiro em reservas de níquel, com 12%. No caso das terras raras, o país concentra cerca de 23% das reservas globais.
Esses minerais são utilizados na produção de turbinas eólicas, motores elétricos, baterias e equipamentos aeroespaciais, como satélites e foguetes. Apesar do potencial, estudos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada indicam que o Brasil ainda avança de forma limitada na produção e no processamento desses materiais.
Hannover Messe
A edição deste ano da Hannover Messe terá cerca de 140 expositores brasileiros, que apresentarão tecnologias e soluções industriais ao público internacional. O evento reúne representantes de centenas de países e é considerado um dos principais encontros globais do setor.
De acordo com o embaixador, o Brasil também pretende promover, durante a feira, um evento paralelo para apresentar o potencial do país na área de minerais críticos.
Acordo entre Mercosul e União Europeia
A participação brasileira no evento ocorre em um momento de avanço na implementação do acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia, tratado que cria uma das maiores zonas comerciais do mundo, com mais de 720 milhões de consumidores.
O Senado brasileiro aprovou os termos do acordo no início de março. Pelo tratado, os países do Mercosul deverão eliminar tarifas sobre 91% dos produtos europeus em até 15 anos, enquanto a União Europeia se compromete a retirar tarifas sobre 95% das mercadorias provenientes do bloco sul-americano em até 12 anos.
Embora ainda existam resistências de alguns países europeus, como a França, a Alemanha tem se posicionado como uma das principais defensoras do acordo.
Relações entre Brasil e Alemanha
Durante o encontro com jornalistas, Baena Soares destacou que a feira também será uma oportunidade para fortalecer relações econômicas e políticas entre Brasil e Alemanha.
Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, a corrente de comércio entre os dois países alcançou cerca de US$ 20,9 bilhões em 2025. No período, o Brasil exportou US$ 6,5 bilhões e importou US$ 14,4 bilhões em produtos alemães.
A Alemanha é o terceiro país que mais vende para o Brasil e o 11º maior comprador de produtos brasileiros. O país europeu também está entre os dez maiores investidores no Brasil, com cerca de 40 bilhões de euros em investimentos diretos e mais de mil empresas alemãs instaladas no território brasileiro.
Fonte: Agência Brasil
Por: M3 Comunicação Integrada