
Última modificação em 20 de maio de 2026 às 08:51
Uma pesquisa internacional revelou que a maioria dos brasileiros que busca emprego já utiliza inteligência artificial para elaborar ou adaptar currículos. A tecnologia tem sido usada principalmente para identificar palavras-chave e adequar o documento aos filtros automáticos adotados em processos seletivos.
O levantamento, realizado por uma consultoria de recursos humanos com 60 mil profissionais de 36 países, mostra que mais da metade dos candidatos brasileiros recorre à IA para aumentar as chances de avançar nas seleções.
A gerente de contas Camila Vogel, que voltou ao mercado de trabalho após 17 anos na mesma empresa, conta que decidiu usar ferramentas de inteligência artificial para atualizar o currículo e entender as novas exigências do mercado.
“Eu precisei entender quais padrões estavam sendo usados hoje no mercado. Usei a inteligência artificial para identificar palavras-chave e nomenclaturas de vagas que tinham relação com o meu perfil”, afirmou.
Apesar das vantagens, especialistas alertam para os riscos da padronização excessiva dos currículos. Segundo recrutadores, muitos documentos acabam ficando semelhantes, dificultando a diferenciação entre os candidatos.
Para Lucas Toledo, diretor executivo da Michael Page, o uso indiscriminado das ferramentas pode prejudicar justamente quem tenta ganhar destaque.
“Cada vez mais os currículos ficam parecidos. Isso cria uma dificuldade para o candidato se diferenciar e também para os recrutadores identificarem quem realmente tem um perfil mais aderente à vaga”, explicou.
A recomendação dos especialistas é que a inteligência artificial seja usada apenas como apoio na construção do currículo, sem substituir as experiências pessoais e características individuais do candidato.
Segundo Alessandro Saade, superintendente executivo do Espro, é essencial revisar e personalizar o conteúdo gerado pelas plataformas.
“Ela pode usar a inteligência artificial, mas depois de pronto o currículo, precisa complementar com pontos importantes da sua trajetória. O humano precisa aparecer para diferenciar o candidato dos demais”, destacou.
Os especialistas também orientam que os candidatos revisem atentamente os textos produzidos pelas ferramentas e evitem copiar modelos prontos sem adaptações.
A pesquisa ainda aponta que o uso de inteligência artificial no ambiente profissional é mais frequente entre brasileiros do que na média mundial. No Brasil, 71% dos profissionais afirmam utilizar IA no trabalho, enquanto a média global é de 64%.
Fonte: G1