Última modificação em 2 de outubro de 2026 às 08:38
Emissora atribuiu decisão a sucessivas decisões judiciais que alteraram regras previamente acordadas com os partidos e provocaram, segundo a emissora, “insegurança jurídica”

A TV Globo cancelou, nesta quinta-feira (1º), pela primeira vez desde 2002, um debate presidencial previsto para ocorrer antes do primeiro turno das eleições. A decisão foi anunciada por volta das 20h30, cerca de uma hora antes do início do programa.
Segundo a emissora, sucessivas decisões judiciais modificaram regras previamente acordadas com os partidos e inviabilizaram a realização do debate nas condições estabelecidas. A Globo afirmou que as mudanças provocaram “insegurança jurídica” e representaram uma interferência na liberdade de imprensa.
A primeira decisão citada pela emissora ocorreu na terça-feira (29), quando o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, alterou o entendimento da Corte sobre a contagem da representação partidária no Congresso para a participação em debates. Com a decisão, o candidato Romeu Zema (Novo) passou a ter direito de participar do encontro.
Nesta quinta-feira, outra decisão judicial determinou novas mudanças. A ministra Estela Aranha, do TSE, proibiu a Globo de manter uma cadeira vazia no cenário para representar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que havia decidido não participar do debate.
A magistrada também proibiu a emissora de conceder tempo aos candidatos presentes para fazer perguntas direcionadas a um concorrente ausente e estabeleceu multa em caso de descumprimento.
Em nota, a Globo afirmou que as regras do debate haviam sido previamente definidas e assinadas por todos os partidos, incluindo o PT. Segundo a emissora, o acordo estabelecia que, em caso de ausência de um candidato, o espaço destinado a ele permaneceria vazio, identificado por uma placa, e que os demais participantes poderiam, durante uma rodada de tema livre, formular em 30 segundos o que perguntariam ao candidato ausente.
Cerca de uma hora antes do início do programa, uma nova decisão judicial alterou novamente a composição prevista para o debate. O ministro do STF, Gilmar Mendes, determinou a inclusão do candidato Renan Santos (Missão), contrariando decisões anteriores sobre os critérios de participação.
A Globo informou que havia convidado os candidatos que, segundo as regras eleitorais consideradas pela emissora, deveriam obrigatoriamente participar do debate: Augusto Cury (Avante), Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD) e Lula (PT).
Após a decisão que determinou a inclusão de Renan Santos, Flávio Bolsonaro anunciou que não participaria do debate. O candidato alegou censura por parte do TSE.
Diante das sucessivas alterações, a Globo decidiu cancelar integralmente o programa. A emissora afirmou que a tradição de promover debates eleitorais tem como objetivo estimular a discussão de propostas e permitir que os eleitores comparem os projetos apresentados pelos candidatos.
Em comunicado, a Globo declarou que as decisões judiciais tomadas nas horas que antecederam o debate provocaram insegurança jurídica e, na avaliação da emissora, interferiram na autonomia dos veículos de comunicação para organizar os encontros eleitorais.
“Nosso dever é o de promover a democracia, mas as sucessivas decisões judiciais tomadas momentos antes da realização do debate causam insegurança jurídica e representam uma interferência indevida na liberdade que os veículos de imprensa têm de organizar os debates eleitorais. Por essa razão, a Globo decidiu cancelar o debate desta noite”, afirmou a emissora.
Fonte: CNN Brasil