
Última modificação em 26 de agosto de 2026 às 13:33
Um terremoto de magnitude 4,4 foi registrado pelo Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) na região de fronteira entre o Nepal e o Tibete, na China, pouco antes da enchente repentina que atingiu a área nesta quarta-feira (26). O desastre deixou mortos e desaparecidos.
O tremor ocorreu às 8h37, com epicentro a cerca de 10 quilômetros de profundidade. Minutos depois, imagens de câmeras de segurança registraram uma avalanche de gelo e rochas atingindo a passagem de terra entre os dois países.
Tremor pode ter provocado avalanche
As autoridades locais ainda não estabeleceram uma relação direta entre o terremoto e o rompimento que atingiu o rio Bhote Koshi. No entanto, a proximidade entre os dois eventos chamou a atenção e será um dos pontos investigados pelas equipes responsáveis por apurar as causas da enchente.
A principal hipótese é de que o tremor tenha desencadeado uma avalanche de gelo e rochas no rio Lhende Khola, no lado nepalês, provocando a inundação repentina.
Antes do desastre, a região havia registrado fortes chuvas e acumulado água represada sob camadas de gelo. Com o tremor, parte desse material pode ter se rompido, liberando grande volume de água e detritos de forma repentina.
Terremoto raso aumenta impacto
A profundidade de 10 quilômetros também chama a atenção dos especialistas. Tremores com foco próximo à superfície são considerados rasos e tendem a provocar efeitos mais intensos nas áreas próximas ao epicentro.
Isso ocorre porque as ondas sísmicas percorrem uma distância menor até alcançar a superfície, dissipando menos energia durante o trajeto. Dessa forma, a força do tremor pode chegar com maior intensidade às construções e ao terreno.
Existe risco de uma nova enchente
As autoridades também monitoram o risco de uma segunda inundação. Parte do gelo e das rochas que se desprenderam no rio Lhende Khola não desceu completamente e teria formado um novo bloqueio em um trecho mais elevado do curso d’água.
A barreira funciona como uma espécie de represa natural. A água pode continuar se acumulando atrás do bloqueio até que a pressão provoque um novo rompimento, liberando outro grande volume de água e detritos rio abaixo.
Alertas chegam à Índia
O risco não está limitado ao Nepal. O rio Lhende Khola nasce nas montanhas do Himalaia e segue em direção às planícies, alimentando cursos d’água que atravessam a fronteira com a Índia.
Diante da possibilidade de aumento do nível dos rios, alertas de cheia foram emitidos para os estados indianos de Bihar e Uttar Pradesh. As regiões ficam a centenas de quilômetros do local do desastre, mas estão no caminho das águas que descem da cordilheira do Himalaia.
Fonte: g1