Última modificação em 18 de agosto de 2026 às 13:31
Ex-senador diz que optou por sair da disputa devido aos impactos do processo judicial e do clima político

O ex-senador Romero Jucá (MDB) anunciou nesta terça-feira (18) que não será mais candidato a deputado federal por Roraima nestas eleições.
O nome dele havia sido colocado na disputa. Tempos depois, Jucá conseguiu na Justiça a suspensão dos efeitos da condenação aplicada pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1). Com isso, ele voltou a ficar apto a concorrer.
Em carta ao povo de Roraima, o emedebista disse que tomou a decisão após avaliar os efeitos do caso judicial sobre sua imagem e família, e também o tom da campanha.
“Contudo, a disputa baixa e vil não cabe mais na minha vida. Portanto, é com muita responsabilidade e com o apoio da minha família que decidi não participar da disputa eleitoral deste ano”, declarou.
Decisões da Justiça
Dias antes do anúncio, o STF suspendeu provisoriamente os efeitos penais e eleitorais da condenação do TRF-1, por decisão do ministro Flávio Dino.
O STJ também já havia suspendido a inelegibilidade de Jucá. Com as duas decisões, ele estava juridicamente liberado para registrar a candidatura enquanto o processo segue nas instâncias superiores.
A condenação
Em julho, o TRF-1 reformou uma sentença de primeira instância que havia absolvido Jucá e o condenou a mais de 9 anos,de prisão pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro.
O caso trata de uma doação oficial de R$ 150 mil da Odebrecht ao MDB de Roraima. Para o tribunal, o valor teria sido usado para disfarçar pagamento de propina.
O repasse foi destinado à campanha de Rodrigo Jucá, filho do ex-senador, candidato a vice-governador de Roraima em 2014. O TRF-1 entendeu que o dinheiro estaria ligado à atuação de Romero Jucá em medidas provisórias de acordo interesse da empreiteira.
A defesa nega as acusações. Os advogados alegam prescrição do caso, questionam a competência do TRF-1 e dizem que não há prova de pedido de vantagem ou contrapartida.
Na mensagem desta terça, Jucá chamou o julgamento de “absurdo e ilegal” e afirmou que já havia sido absolvido antes.
“A decisão foi estranhíssima, me condenando. Ainda que frágil e absurda, a notícia estampou todos os sites, blogs e perfis de redes sociais”, disse.
Ele também reconheceu que as decisões posteriores do STF e do STJ reverteram os efeitos da condenação.
“A justiça já reverteu a ação. No entanto, esse ataque claro à minha pessoa e o tipo de disputa que se avizinha me fez refletir sobre o que realmente quero para o meu futuro.”
Fonte: Folha BV