Última modificação em 5 de novembro de 2026 às 14:51
Político é alvo de questionamentos relacionados à crise financeira de instituição apontada como a maior emissora de cartões de crédito do país

O presidente do Paraguai, Santiago Peña, anunciou sua renúncia nesta quinta-feira (5), enquanto a Câmara dos Deputados realizava uma sessão extraordinária para avaliar a abertura de um processo de impeachment contra ele. O político é alvo de questionamentos relacionados à crise financeira do Ueno Bank, apontado como o maior emissor de cartões de crédito do país.
Em pronunciamento divulgado em vídeo, Peña afirmou que deixou o cargo para preservar a estabilidade nacional, a paz social e as instituições democráticas. O então presidente também pediu desculpas à população por possíveis falhas durante sua gestão e destacou a importância de proteger as economias dos paraguaios e os recursos públicos.
A crise envolvendo o Ueno Bank começou após o índice de solvência da instituição, que mede sua capacidade de honrar compromissos financeiros, cair para menos da metade do mínimo exigido. A situação levou à suspensão das operações, deixando milhões de clientes sem acesso às contas.
Diante do cenário, o Banco Central do Paraguai iniciou um procedimento para proteger os depositantes e preservar a estabilidade do sistema financeiro, além de determinar a realização de auditorias para avaliar a situação patrimonial da instituição.
O caso também passou a ser investigado pelo Ministério Público, que determinou a prisão de oito pessoas ligadas ao banco. Controlado majoritariamente pelo Grupo Vázquez, o Ueno Bank possui, aproximadamente, 3 milhões de clientes e administra cerca de US$ 850 milhões em recursos públicos.
A crise ganhou dimensão política após virem à tona as ligações entre integrantes do governo e a instituição financeira. Peña manteve participação societária na estrutura empresarial vinculada ao banco, por meio da Ueno Holding, até março de 2025.
Outro nome envolvido é Carlos Carvallo, ex-presidente do Banco Central paraguaio, que comandou a financeira antes de sua transformação em banco, em 2023. As conexões levantaram suspeitas de possíveis conflitos de interesses e questionamentos sobre a atuação dos órgãos responsáveis pela fiscalização da instituição.
Veja o pronunciamento na íntegra
“Queridos compatriotas, hoje, me dirijo a vocês em um dos momentos mais difíceis da minha vida, com o coração voltado para o Paraguai e com a convicção de que a nossa República deve estar sempre acima de qualquer pessoa ou circunstância. A história se encarregará de julgar e colocar na sua devida dimensão os acontecimentos que hoje nos toca vivenciar. Tomei a decisão de apresentar minha renúncia à presidência da República. Faço isso pensando na estabilidade do nosso país, na paz social e na necessidade de preservar as nossas instituições democráticas.
Faço-o com absoluto respeito à nossa Constituição Nacional e aos mecanismos institucionais e democráticos que estabelecemos para nós mesmos como nação. Estou convencido de que nenhum cargo pode estar acima do bem-estar do Paraguai. Também quero pedir desculpas ao povo, caso em algum momento eu tenha falhado. Nunca foi minha intenção defraudar a confiança que depositaram em mim. A cada dia, assumi esta responsabilidade com a vontade de trabalhar pelo Paraguai; contudo, hoje, minha prioridade é uma só: a tranquilidade dos paraguaios que confiaram suas economias ao nosso sistema financeiro.
Por trás de cada depósito, há anos de esforço, sacrifício e projetos familiares. Meu maior desejo é que se garanta a preservação desses recursos, que o Fundo de Garantia de Depósitos cumpra sua finalidade e que sejam protegidos os fundos públicos e os recursos que pertencem a todos os paraguaios.
Queridos compatriotas, somos um país que atravessou momentos muito difíceis e que sempre soube se reerguer. Confio profundamente na força do nosso povo e na capacidade das nossas instituições para superar esta situação. Hoje, devemos demonstrar, mais uma vez, que a democracia é respeitada, que as instituições são preservadas e que o Paraguai está acima das nossas diferenças. Nenhum cargo é mais importante do que a estabilidade da República. Nenhuma pessoa está acima do Paraguai. Agradeço pela confiança em cada momento vivido e por terem me concedido a honra de servir a esta grande nação. Que Deus abençoe cada família paraguaia e que Deus abençoe o Paraguai”.
Fonte: O Antagonista