
Última modificação em 17 de julho de 2026 às 08:31
Os mercados internacionais iniciaram esta sexta-feira (17) em baixa, refletindo uma combinação de fatores que aumentaram a aversão ao risco dos investidores. Entre eles estão a forte venda de ações de empresas ligadas aos setores de chips e inteligência artificial e o agravamento do conflito entre Estados Unidos e Irã, que chegou ao sexto dia consecutivo de ataques no Oriente Médio.
Na Ásia, as bolsas registraram perdas expressivas. O principal índice da Coreia do Sul, o Kospi, caiu mais de 6,3%, após o anúncio de um investimento bilionário da fabricante de semicondutores TSMC nos Estados Unidos. Em Taiwan, o índice Taiex recuou cerca de 3,18%, enquanto a Bolsa de Tóquio fechou em queda próxima de 3,4%, pressionada pelas ações de grandes empresas de tecnologia. Os mercados de Xangai e Hong Kong também encerraram o dia no vermelho.
Na Europa, as principais bolsas operam em baixa, com destaque para as perdas em Paris. Nos Estados Unidos, os contratos futuros dos índices Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq também apontam para uma abertura negativa.
No mercado de commodities, o petróleo avança diante das preocupações com possíveis restrições no Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte mundial de petróleo, e da possibilidade de ações dos rebeldes Houthis no Mar Vermelho. O barril do Brent é negociado a US$ 85,74, enquanto o WTI, referência nos Estados Unidos, sobe para US$ 80,65.
Entre os ativos digitais, o bitcoin apresenta leve queda e é negociado próximo de US$ 63 mil. Já o ether opera em alta.
Mercado brasileiro
No Brasil, o Ibovespa encerrou o pregão de quinta-feira (16) com queda de 1,24%, refletindo a confirmação da tarifa adicional de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre parte dos produtos brasileiros. A medida passa a valer na próxima quarta-feira (22).
O dólar também fechou em alta, acima de R$ 5,09. Apesar da reação negativa inicial, o mercado amenizou parte das perdas após o governo norte-americano divulgar uma lista de exceções à nova tarifa, preservando produtos como carne bovina, café e suco de laranja.
Segundo o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, a nova taxação deverá atingir cerca de 18% das exportações brasileiras destinadas aos Estados Unidos, o equivalente a aproximadamente US$ 7,4 bilhões, considerando os embarques realizados em 2024.
A medida também provocou um novo desgaste diplomático entre os dois países. O chanceler brasileiro classificou como inaceitáveis as declarações do secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, sobre as negociações comerciais.
O que acompanha o mercado nesta sexta
Os investidores seguem atentos aos desdobramentos das tarifas americanas e aguardam a divulgação do IBC-Br, indicador considerado uma prévia do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro.
No cenário político, o Congresso Nacional entra em recesso a partir deste sábado (18), o que tende a reduzir o volume de notícias políticas a curto prazo. Ainda assim, o mercado permanece atento à condução das relações comerciais entre Brasília e Washington em um período marcado pelo calendário eleitoral.
Fonte: O Antagonista