
Última modificação em 26 de setembro de 2026 às 10:46
A Polícia Federal (PF) deflagrou, na manhã deste sábado (26), a Operação Auctoritas, que investiga um suposto esquema de compra de votos e assédio eleitoral envolvendo a estrutura da Defensoria Pública do Estado de Roraima (DPE-RR).
Segundo as investigações, o grupo teria utilizado a estrutura do órgão para favorecer um candidato a deputado estadual e um candidato à reeleição para deputado federal. Os dois candidatos, no entanto, não foram alvos da operação.
A apuração aponta que os suspeitos estabeleciam metas de participação em reuniões políticas, pressionavam funcionários a repassar parte dos salários para custear despesas de campanha e ofereciam até R$ 1 mil por voto a eleitores.
Ao todo, foram cumpridos três mandados de busca e apreensão em Boa Vista e Rorainópolis, na região Sul de Roraima. As medidas foram autorizadas pela Justiça Eleitoral.
A reportagem procurou a DPE-RR para obter um posicionamento sobre a operação e aguarda retorno.
Como o suposto esquema funcionava
De acordo com as informações apuradas, a estrutura teria sido utilizada para pressionar servidores e aliciar eleitores. As ações investigadas eram organizadas em três frentes principais:
- Pressão sobre servidores: funcionários ocupantes de cargos comissionados na DPE-RR seriam obrigados a entregar R$ 1 mil dos próprios salários, além de duas cestas básicas, para contribuir com as campanhas investigadas.
- Metas para reuniões políticas: servidores eram cobrados, por meio de grupos de WhatsApp, a levar convidados para eventos políticos. A meta estabelecida seria de 100 pessoas por reunião. Aqueles que não cumprissem a determinação precisariam apresentar justificativas individualmente aos superiores.
- Suposta compra de votos: em abordagens realizadas na capital e no interior, eleitores entregariam cópias de documentos diante da promessa de receber R$ 1 mil por familiar. Também teria ocorrido a oferta de produtos para conquistar apoio eleitoral.
Mensagens trocadas em um aplicativo de comunicação também teriam registrado cobranças feitas aos subordinados. Em alguns trechos, um coordenador questionava a participação dos servidores com frases como “Mandem a lista de confirmados!”, “Meta da reunião: 100 pessoas” e “Cadê os demais que ainda não se manifestaram. Tô acompanhando aqui”.
Fonte: g1 RR