
Última modificação em 22 de junho de 2026 às 13:31
A taxa de mortes no trânsito associadas ao consumo de bebidas alcoólicas registrou queda de 19,5% no Brasil entre 2010 e 2024. Os dados foram divulgados na última sexta-feira (19), Dia Nacional da Lei Seca, em levantamento realizado pelo Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (Cisa), instituição de referência nacional no tema.
De acordo com o estudo, o número de óbitos passou de cerca de 15 mil em 2010 para 13.075 em 2024. Apesar da redução no período analisado, a pesquisa aponta uma tendência de crescimento a partir de 2020, ano em que foram registradas 11,6 mil mortes relacionadas a acidentes de trânsito envolvendo o consumo de álcool.
Para a coordenadora do Cisa, Mariana Thibes, o aumento observado nos últimos anos não compromete a efetividade da Lei Seca. Segundo ela, a legislação brasileira continua sendo um exemplo internacional por sua contribuição na redução de acidentes e na preservação de vidas nas vias do país.
“Essa redução foi da ordem de mais de 30%, desde que a lei surgiu (em 2008) até os últimos anos”, afirmou Mariana.
Ela concorda, no entanto, que há uma perda de fôlego em vista de “novos desafios”. A Lei Seca começou a apresentar menos eficiência, conforme revelam os números.
“A gente vinha observando uma curva constante de queda até 2019, e a partir daí a taxa de mortes começou a crescer depois da pandemia”, acrescentou.
Mariana explica que isso ocorreu porque, embora a fiscalização tenha aumentado nos últimos anos, as formas de burlar também ficaram cada vez mais sofisticadas. “As pessoas conseguem se comunicar, usar aplicativos e saber onde estão acontecendo as fiscalizações”.
Impunidade e desafios da fiscalização
Apesar dos avanços promovidos pela Lei Seca, a coordenadora avalia que ainda persiste entre parte da população a percepção de que é possível descumprir a legislação sem sofrer consequências. Para enfrentar esse cenário, ela defende o fortalecimento das ações de fiscalização, a ampliação do acesso ao atendimento de emergência e o investimento em campanhas preventivas, voltadas, principalmente, ao público masculino — que concentra a maior parte das mortes no trânsito.
Dados do Cisa indicam que, desde 2019, o consumo de álcool esteve relacionado a 36,6% das ocorrências de trânsito envolvendo homens e a 26,3% dos casos entre mulheres.
Entre os desafios enfrentados pelas autoridades estão as limitações na fiscalização, como a quantidade insuficiente de operações com bafômetros, além do crescimento da frota de veículos e do aumento dos acidentes envolvendo motocicletas.
Campanhas mais eficazes
Para ela, estratégias de conscientização também precisam evoluir. Campanhas baseadas apenas em mensagens de impacto ou no medo tendem a produzir resultados temporários, sem promover mudanças duradouras de comportamento.
“A experiência internacional mostra que campanhas fundamentadas exclusivamente no medo têm efeito de curto prazo, mas não conseguem sustentar mudanças ao longo do tempo”, explica.
Na avaliação de Mariana, as ações mais eficazes são aquelas que combinam educação, informação e a percepção concreta do risco de punição. “A pessoa precisa acreditar que será fiscalizada e que sofrerá as consequências previstas na lei”, afirma.
Fonte: Agência Brasil