
Última modificação em 28 de setembro de 2026 às 14:44
A Justiça Federal em Roraima determinou, em decisão liminar, o bloqueio de bens, direitos e valores de quatro empresas investigadas por suposta participação em uma cadeia clandestina de extração, transporte e comercialização de cassiterita e ouro retirados da região do Pupunha, na Terra Indígena Yanomami. O valor total dos bloqueios pode chegar a R$ 146 milhões.
A decisão atende a pedido do Ministério Público Federal (MPF), apresentado em ação civil pública com base na Lei Anticorrupção (Lei nº 12.846/2013), no âmbito da Operação Forja de Hefesto. Segundo o MPF, o minério seria extraído ilegalmente da terra indígena, transportado por aeronaves a partir de pistas não autorizadas, registrado como produção de cooperados e posteriormente adquirido pela White Solder Metalurgia e Mineração Ltda., responsável pela transformação do material em lingotes de estanho.
Além da White Solder, são alvos da ação a Cooperativa de Produtores de Estanho do Brasil (Coopertin), a Cataratas Poços Artesianos e a TARP Táxi Aéreo. Os limites dos bloqueios foram fixados individualmente em até R$ 108,4 milhões para a White Solder; R$ 31,8 milhões para a Coopertin, incluindo um imóvel; R$ 5,4 milhões para a Cataratas; e R$ 360 mil para a TARP.
Ao fundamentar a decisão, o juízo considerou elementos apresentados pelo MPF, como movimentações financeiras expressivas, divergências entre os volumes declarados de cassiterita, documentos apreendidos e informações de inteligência. De acordo com a ação, esses indícios podem apontar para uma articulação entre as etapas de extração, transporte, registro em cooperativa e fundição do minério.
A Justiça também determinou que a Receita Federal encaminhe, sob sigilo, os dados de faturamento das quatro empresas entre 2021 e 2025. As informações serão utilizadas para o cálculo de eventuais sanções e para uma possível revisão dos valores bloqueados. As empresas ainda serão intimadas e poderão apresentar defesa.
O MPF também pediu a suspensão das atividades das empresas e a proibição de que recebam incentivos públicos, mas esses pedidos ainda serão analisados no decorrer do processo. Os mesmos fatos são investigados em ação penal que tramita na Justiça Federal.
A ação é conduzida pelo 2º Ofício da Amazônia Ocidental, unidade do MPF especializada no combate à mineração ilegal nos estados do Amazonas, Acre, Roraima e Rondônia.
Fonte: Ascom/MPF