
Última modificação em 26 de outubro de 2026 às 08:30
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), derrotado na disputa pela Presidência da República neste domingo (25), afirmou que não reconhece o resultado do segundo turno e que pretende recorrer à Justiça para pedir a anulação das eleições. O candidato questionou a decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), que prorrogou em duas horas o horário de encerramento da votação.
Flávio classificou a medida como “inaceitável” e afirmou que a decisão teria alterado as regras eleitorais durante a votação. Segundo ele, Zanin, que não integra o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), teria interferido em uma atribuição da Justiça Eleitoral.
“O que aconteceu hoje não foi algo normal, foi inclusive inaceitável. Um ministro da Suprema Corte, pela primeira vez na história, e ex-advogado do Lula dá uma canetada a pedido de um ex-sócio dele e muda a regra do jogo no meio do jogo”, declarou.
Após a divulgação do resultado que confirmou a vitória do presidente Lula (PT), o presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, afirmou ter “absoluta segurança de todo o processo eleitoral”.
Apesar disso, Flávio insistiu que considera “impossível” reconhecer o resultado e disse que a equipe jurídica de sua campanha tomará medidas para tentar anular a votação.
“É inexplicável ter acontecido o que aconteceu. Inclusive, nas palavras de algum ministro aí que a própria imprensa publicou, as eleições deveriam ter sido anuladas nas condições que as coisas aconteceram nesse momento. E o que eu tenho que falar aqui agora é que é impossível, é impossível reconhecer o resultado das eleições no contexto como essas coisas aconteceram. Nós vamos usar o nosso jurídico, vamos pedir a anulação dessas eleições”, afirmou em declaração.
O senador também alegou que houve uma “quebra total de isonomia entre os brasileiros de diversas cidades, de diferentes estados”. Segundo ele, não será possível saber quantos votos poderia ter recebido em localidades onde as urnas não tiveram o horário de votação prorrogado.
A declaração, porém, contrasta com uma solicitação feita pela própria campanha de Flávio ao TSE. Na tarde de domingo, a equipe do candidato pediu a extensão do horário de votação em municípios de Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo e Santa Catarina.
PGR e Senado defendem respeito ao resultado
A Procuradoria-Geral da República (PGR) também se manifestou sobre o processo eleitoral. O procurador-geral da República e procurador-geral eleitoral, Paulo Gonet Branco, afirmou que o Ministério Público cumpriu sua função de fiscalizar a votação, combater irregularidades e garantir o respeito à vontade dos eleitores.
“A democracia se fortalece quando as regras são cumpridas e cada pessoa pode exercer seu direito de escolha de forma livre. O respeito à vontade manifestada nas urnas fortalece as instituições democráticas e garante legitimidade à representação política”, declarou.
O presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União-AP), também defendeu o respeito ao resultado. Em pronunciamento ao lado do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos), afirmou que “não há o que se contestar” e que “a vitória, em primeiro plano, foi da democracia”.
“Falamos isso mais cedo [antes do resultado], que precisávamos respeitar a vontade das urnas independente do resultado”, disse Alcolumbre.
O senador acrescentou que o Congresso acompanha as manifestações dos candidatos e criticou o ambiente de agressividade política no país, afirmando que cabe ao presidente da República promover a união nacional.
TSE rebate acusação sobre fiscais do PL
Além de contestar a prorrogação do horário de votação, Flávio Bolsonaro alegou que fiscais do PL teriam sido retirados da sala-cofre do TSE durante a apuração das eleições de 2026.
O tribunal negou a acusação. Segundo o TSE, a sala-cofre não é aberta à visitação e os fiscais do partido acompanharam a totalização dos votos e a divulgação dos resultados em uma área destinada à fiscalização.
Fonte: g1