
Última modificação em 19 de outubro de 2026 às 08:46
Os candidatos à Presidência da República Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) participaram, neste domingo (18), de um debate promovido pela TV Band, marcado por acusações, provocações e intervenções dos mediadores. Os candidatos trocaram críticas sobre investigações, segurança pública, saúde, direitos trabalhistas e política internacional.
No primeiro bloco, Lula questionou Flávio sobre supostos repasses de R$ 134 milhões do banqueiro Daniel Vorcaro, além de relações com pessoas ligadas a crimes e posições adotadas pelo senador em votações na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. Flávio não respondeu diretamente e direcionou perguntas ao filho do presidente, Fábio Luís, investigado por suspeita de tráfico de influência, além de responsabilizar o governo petista por irregularidades no INSS.
Na discussão sobre segurança pública, Flávio defendeu classificar facções criminosas como narcoterroristas e construir 500 mil vagas no sistema penitenciário. Lula, por sua vez, reafirmou a proposta de criar o Ministério da Segurança Pública para coordenar ações entre União, estados e municípios.
Saúde, segurança e trabalho
Ao falar sobre o Sistema Único de Saúde (SUS), Flávio afirmou que indicaria o presidente do Hospital Albert Einstein, Cláudio Lottenberg, para comandar o Ministério da Saúde, com a proposta de levar ao sistema público um padrão de atendimento semelhante ao da instituição privada. Lula questionou a posição do adversário sobre a saúde pública e criticou a condução da pandemia pelo governo de Jair Bolsonaro.
Os candidatos também divergiram sobre as saídas temporárias de presos. Lula defendeu a manutenção do benefício para detentos com bom comportamento e em processo de recuperação, enquanto Flávio criticou a medida e cobrou maior rigor na política penal.
Sobre o fim da escala de trabalho 6×1, Flávio afirmou ter votado a favor da proposta após ouvir trabalhadores, embora anteriormente fosse contrário à mudança. Lula aproveitou o tema para questionar a experiência do senador com a rotina dos trabalhadores brasileiros.
Sigilos e relações internacionais
No terceiro bloco, Lula desafiou Flávio a apresentar os sigilos bancário e telefônico dos dois candidatos, incluindo os de familiares, para esclarecer possíveis irregularidades. Flávio disse não ter nada a esconder, mas não confirmou expressamente que aceitaria a proposta nos termos apresentados e acusou o presidente, sem apresentar provas no debate, de manter recursos fora de suas contas.
A política externa também gerou divergências. Lula criticou a aproximação da família Bolsonaro com os Estados Unidos e levantou preocupações sobre a soberania brasileira na exploração de minerais estratégicos. Flávio defendeu a cooperação internacional no combate ao crime organizado e negou ter atuado para impor tarifas contra empresas brasileiras.
Na área de segurança, o senador propôs ampliar o uso de câmeras com reconhecimento facial e endurecer punições. Lula rebateu citando iniciativas de seu governo, como o programa Celular Seguro.
Suspeita de bomba mobiliza polícia
Após o debate, o Grupo de Ações Táticas Especiais da Polícia Militar de São Paulo foi acionado para verificar uma suspeita de bomba em um veículo no estacionamento da emissora, que seria da equipe de Flávio Bolsonaro. Durante a operação, jornalistas e convidados ficaram impedidos de deixar o local. Após uma varredura, nenhum artefato foi encontrado e a área foi liberada.
Fonte: Agência Brasil