
Última modificação em 30 de agosto de 2026 às 13:06
Filha de produtor rural, Regina Aparecida Silva, conhecida como Regina Tio Ivo, relembra com carinho a infância vivida em uma pequena propriedade no interior de Goiás. Segundo ela, foi nesse ambiente, marcado pelo trabalho coletivo entre famílias e vizinhos, que aprendeu valores que levaria para a vida profissional e empresarial.
“Quando ia plantar uma lavoura, vinham os vizinhos, todos ajudavam o papai a plantar o dele. Depois, papai ia ajudar a plantar o dos vizinhos”, recordou.
Ela também relembra os momentos de convivência durante os dias de trabalho no campo. As refeições reuniam familiares, vizinhos e trabalhadores em torno de grandes panelas de comida. “Não esqueço nunca do macarrão com frango no tacho. Tacho grandão, porque era muita gente. Então, acabava sendo uma festa para a gente aquele trabalho deles”.
Regina cresceu em uma família de quatro irmãos de sangue e dois de coração. Ela descreve a convivência familiar como intensa, com momentos de conflitos, mas também de muito afeto.
Aos 16 anos, foi emancipada para poder assinar a carteira de trabalho. Depois, mudou-se para Belém, onde trabalhou em uma escola de inglês durante três anos. Em seguida, retornou a Roraima, onde permaneceu e construiu sua trajetória no setor produtivo.
Trabalho como principal ensinamento
Ao falar sobre as referências que teve durante a infância, Regina destaca principalmente os pais. Segundo ela, a mãe era responsável por orientações constantes, enquanto o pai, descrito como rígido, ensinava aos filhos a importância da disciplina e do trabalho. “Papai sempre ensinou o valor do suor, do trabalho”, afirmou.
Para ela, a experiência no campo também a ensinou sobre as dificuldades enfrentadas pelos produtores rurais, que dependem de fatores como clima e condições da safra.
“Eu digo que produtor rural são heróis. Porque a gente depende muito de São Pedro, do clima. Às vezes, cai e levanta, porque não é toda safra que você consegue atingir seu objetivo. Mesmo fazendo as coisas tudo certinho, nem sempre dá certo”, declarou.
Ela defende que o setor deve receber mais atenção e reconhecimento por parte dos governantes, que deveriam olhar para o produtor rural com amor, com carinho, ou até com admiração.
Do campo para a mesa
Com experiência na produção de arroz e soja, Regina destaca que a agricultura representa prosperidade e tem papel essencial na vida da população. “Todo mundo vive sem uma roupa, sem um negócio, mas ninguém vive sem comida. Então, nós, as pessoas do campo, é que trazemos a comida para a mesa da cidade”, afirmou.
Ela também ressalta que existe uma relação de dependência entre produtores e consumidores. Para Regina, enquanto o campo precisa produzir, a população precisa consumir os alimentos que chegam às prateleiras.
Entrada na política
Apesar de, atualmente, estar envolvida na política, a empresária ressalta que nunca planejou seguir esse caminho. Segundo ela, as circunstâncias da vida acabaram conduzindo-a para a atividade. “Eu não planejei nada. Nunca planejei. Mas as coisas foram acontecendo e me empurrando para esse momento”, disse.
Ela conta que, antes de entrar na política, não tinha interesse pelo tema. Com o tempo, porém, passou a considerar necessária a participação da população, principalmente a feminina, nas decisões políticas.
“Se a gente não gosta da política, você vai ser representado por alguém que goste. Se ele é bom ou ruim, eu não sei. Está nos atos de cada um, no dia a dia. Mas, se você não gosta, alguém vai te representar”, afirmou.
Para Regina, a participação política é uma forma de assumir responsabilidade sobre quem ocupa os espaços de representação. “Você tem que se esforçar e fazer o seu papel”, concluiu.
Por: Papo M3 Comunicação Integrada