
Última modificação em 7 de maio de 2026 às 10:07
O aumento do endividamento das famílias brasileiras voltou a preocupar o mercado financeiro, bancos e o governo federal. Em fevereiro deste ano, o comprometimento da renda das famílias com dívidas atingiu 49,9%, o maior nível da série histórica do Banco Central, iniciada em 2005.
Diante desse cenário, o governo federal lançou o novo programa Desenrola Brasil, voltado à renegociação de dívidas e à redução da inadimplência no país.
Atualmente, cerca de 130 milhões de brasileiros possuem algum tipo de crédito disponível, o equivalente a 74% da população com relacionamento bancário. Nos últimos quatro anos, 32 milhões de pessoas passaram a acessar produtos financeiros, segundo dados do relatório de Cidadania Financeira do Banco Central.
Mais de 73 milhões estão negativados
Dados do Banco Central apontam que, no fim de 2024, mais de 73 milhões de brasileiros estavam com o nome negativado. Já em março deste ano, a Serasa registrou 82,8 milhões de inadimplentes no país.
As dívidas relacionadas a bancos e cartões de crédito representam 27,4% do total de débitos registrados.
O levantamento também mostra crescimento nos casos de inadimplência grave. Em dezembro, cerca de 16% das pessoas com crédito ativo tinham dívidas com atraso superior a 90 dias.
Entre 2020 e 2024, esse grupo aumentou em 6 milhões de pessoas, alcançando 18,9 milhões de brasileiros — avanço de 47% no período.
Norte lidera inadimplência no país
Os maiores índices de inadimplência estão concentrados nas regiões Norte e Nordeste.
Segundo o Mapa da Inadimplência da Serasa, o Amapá lidera o ranking nacional, com 65,1% da população adulta inadimplente. Na sequência aparecem Distrito Federal (62,7%), Amazonas (60,1%) e Mato Grosso do Sul (59,5%).
Já Santa Catarina possui o menor percentual do país, com 40,4%.
Jovens e população de baixa renda são os mais afetados
Os dados mostram que os jovens entre 18 e 34 anos concentram os maiores índices de inadimplência grave, com cerca de 19% apresentando atrasos superiores a 90 dias.
Entre as pessoas com renda de até dois salários mínimos, a taxa de inadimplência chega a 17,4%. Já entre os inscritos no Cadastro Único (CadÚnico), o índice é de 18%.
A pesquisa também aponta que:
- 73% dos casos mais graves estão entre pessoas que ganham até dois salários mínimos;
- Mulheres representam 50,6% dos inadimplentes;
- Adultos entre 41 e 60 anos concentram a maior parcela das dívidas;
- Pessoas não brancas e moradores das regiões Norte e Nordeste estão entre os grupos mais impactados.
Cartão de crédito é principal vilão
Segundo o Banco Central, o cartão de crédito continua sendo o principal responsável pelo superendividamento no Brasil, principalmente devido aos juros elevados do crédito rotativo, que podem ultrapassar 400% ao ano.
Entre os jovens, quase 40% possuem atrasos relacionados ao rotativo do cartão ou parcelamento da fatura.
As dívidas mais comuns no país estão concentradas em:
- Bancos e cartões de crédito (27,3%);
- Contas básicas, como água, luz e gás (21%);
- Financeiras (20,2%);
- Serviços diversos (11,5%).
Em março de 2026, o valor médio das dívidas por pessoa chegou a R$ 6.728,51, enquanto o total devido no país alcançou aproximadamente R$ 557 bilhões.
Como funciona o novo Desenrola Brasil
O novo Desenrola Brasil será voltado para pessoas com renda de até R$ 8.105 e prevê renegociação de dívidas feitas até 31 de janeiro de 2026, com atraso entre 90 dias e dois anos.
O programa foi dividido em quatro categorias:
- Famílias;
- Fundo de Financiamento Estudantil (Fies);
- Empresas;
- Agricultores rurais.
A iniciativa contempla débitos como:
- Cartão de crédito;
- Cheque especial;
- Crédito pessoal;
- Financiamentos estudantis do Fies.
Segundo o governo, os descontos podem variar entre 30% e 90%, com juros limitados a 1,99% ao mês.
Outra novidade é a possibilidade de utilização de até 20% do saldo do FGTS para quitação das dívidas, com transferência direta entre instituições financeiras mediante autorização do trabalhador.
De acordo com o Ministério da Fazenda, quem aderir ao programa ficará impedido de utilizar plataformas de apostas online pelo período de um ano.
Fonte: G1 RR
Por: M3 Comumicação Integrada