Última modificação em 16 de julho de 2026 às 08:34
Segundo a polícia, eles convenciam as adolescentes de que os atos sexuais faziam parte de um “propósito espiritual”

Um casal de pastores de 24 anos foi indiciado nesta quarta-feira (15), pela Polícia Civil de Roraima (PC-RR), sob suspeita de estuprar ao menos seis meninas em Boa Vista. Wenderson Lima de Souza e Arielly Kamila Moraes de Souza usavam a fé e a posição de liderança religiosa para manipular as vítimas, de acordo com a investigação da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA).
Segundo a polícia, eles convenciam as adolescentes de que os atos sexuais faziam parte de um “propósito espiritual”. Para garantir o silêncio, ofereciam PIX, dinheiro, jantares e outras vantagens. Foram identificadas seis vítimas, entre 12 e 17 anos. “A prática sexual era resultado de uma cadeia sistemática de manipulação, abuso de autoridade religiosa, chantagem e coerção psicológica. Isso afasta qualquer alegação de voluntariedade e reforça a gravidade dos crimes”, detalhou a polícia.
Os crimes imputados
Wenderson responde por 6 crimes: estupro de vulnerável, importunação sexual, favorecimento da exploração sexual de adolescente, registro não autorizado de intimidade, fraude processual e falsidade ideológica e Arielly foi indiciada por estupro de vulnerável, importunação sexual e fraude processual.
Como o esquema funcionava
A investigação começou em abril após denúncia de uma adolescente de 14 anos. Outras cinco vítimas surgiram depois. De acordo com a delegada Kamilla Basto, a pastora se aproximava das meninas e o marido usava passagens bíblicas e a autoridade de líder para convencê-las.
O casal também usava a estrutura da igreja para desencorajar denúncias. O estatuto da instituição previa desligamento de membros que se “rebelassem” contra a liderança, o que gerava temor nas vítimas e fiéis.”Estamos diante de um caso desafiador, pelo ambiente de fé e pela vulnerabilidade espiritual das vítimas. Eles usavam justamente a confiança como instrumento de dominação”, afirmou a delegada. “Nenhum ambiente e nenhuma posição de autoridade estão acima da lei”, completou.
Tentativa de destruir provas
A polícia aponta que Wenderson tentou apagar provas do celular. Ele teria pedido para uma jovem de 20 anos destruir o aparelho com ajuda de uma adolescente e de uma vítima. Por isso, a jovem foi indiciada por fraude processual e corrupção de menores. Para encobrir, o pastor ainda orientou uma das vítimas a registrar um B.O. falso de desaparecimento do celular. A defesa do casal foi procurada, mas não se manifestou até a última atualização desta reportagem.
Fonte: g1 RR