Última modificação em 23 de setembro de 2026 às 11:14
Operação Disco de Ouro II cumpre 12 mandados de busca e apreensão e 17 ordens de sequestro de bens e valores, expedidos pela Justiça Federal em Boa Vista

O cantor Alexandre Pires foi alvo da Polícia Federal nesta quarta-feira (23) em uma operação que investiga um grupo suspeito de extrair e comercializar ilegalmente cassiterita retirada da Terra Indígena Yanomami, em Roraima. A investigação também apura crimes como lavagem de dinheiro e falsidade ideológica.
A Operação Disco de Ouro II cumpre 12 mandados de busca e apreensão e 17 ordens de sequestro de bens e valores, expedidos pela Justiça Federal em Boa Vista. Não há mandados de prisão.
Os alvos incluem ainda os empresários Diego e Matheus Possebon, que já foi empresário de Alexandre Pires. Segundo a investigação, Diego seria apontado como líder e operador central do grupo.
Mandados contra o cantor são cumpridos em uma casa e na produtora musical dele, em Uberlândia (MG), onde a PF busca documentos, mídias e outros bens.
De acordo com a investigação, Alexandre Pires e uma empresa ligada a ele foram incluídos no chamado Núcleo Financeiro do esquema. A suspeita é de que tenham sido utilizados para fracionar, ocultar e dissimular valores obtidos com a comercialização ilegal do minério.
A investigação aponta que a empresa do cantor recebeu R$ 4,4 milhões de contas relacionadas ao esquema. O fluxo financeiro analisado pela PF chega a aproximadamente R$ 31 milhões.
Como funcionava o esquema
Segundo a PF, o grupo extraía e comercializava cassiterita retirada ilegalmente da Terra Yanomami. Para tentar dar aparência de legalidade ao minério, eram utilizadas licenças de lavra garimpeira de Itaituba, no Pará, como se a origem do material fosse regular.
Em operações anteriores em Roraima, a Polícia Federal apreendeu mais de 100 toneladas de cassiterita e cerca de 1 quilo de ouro em uma empresa investigada por envolvimento com garimpo ilegal na Terra Yanomami.
Ainda conforme a investigação, após a apreensão do minério, o grupo teria ficado sem material para cumprir um contrato internacional com uma empresa suíça. Para manter os pagamentos antecipados, teria simulado o armazenamento de cassiterita em galpões de Manaus e enviado areia e pó de brita acompanhados de laudos químicos falsificados. A fraude teria provocado um prejuízo estimado em US$ 48 milhões.
A investigação também aponta que parte do dinheiro era enviada ao exterior e posteriormente redistribuída no Brasil por meio de operações de dólar-cabo e contratos considerados fictícios. Os valores teriam circulado por contas de familiares, empresas de fachada, conhecidos e intermediários sem relação com o setor de mineração.
Operação Disco de Ouro
A segunda fase da operação é um desdobramento da investigação iniciada em 2023, que apura a comercialização e exportação ilegal de minério extraído da Terra Yanomami.
Os investigados podem responder, conforme a participação de cada um, por crimes como lavagem de dinheiro, organização criminosa, falsidade ideológica e operação irregular de instituição financeira, além de outros delitos que possam ser identificados durante as investigações.
A defesa de Alexandre Pires informou que o cantor nunca teve envolvimento com garimpo ou extração de minério, e muito menos em área indígena. Disse, ainda, que o artista ficou surpreso diante dos fatos e que jamais cometeu qualquer ilícito. A defesa dos demais, também, foi procurada e, até a última atualização, não havia se manifestado.
Fonte: g1 RR