
Última modificação em 7 de agosto de 2026 às 17:28
As apostas online, as chamadas “bets”, fizeram com que R$ 62,5 bilhões saíssem do orçamento das famílias brasileiras em 2025. O valor é da 3ª edição do Boletim Fiscal dos Estados Brasileiros, feito pelo Comsefaz em parceria com o Centro Celso Furtado.
O cálculo considera a “saída líquida”: a diferença entre tudo que foi apostado e o que voltou para os jogadores em prêmios. Ou seja, é o dinheiro que efetivamente ficou com as plataformas.
Entre outubro de 2024 e março de 2026, essa perda média foi de R$ 4,7 bilhões por mês. Só em 2025, os R$ 62,5 bilhões representam 0,68% da renda disponível das famílias.
“Esse montante representa uma transferência expressiva de renda das famílias para esse setor, com potencial impacto sobre sua capacidade de honrar compromissos financeiros”, diz o estudo.
Impacto no consumo
Para os pesquisadores, o dinheiro gasto em apostas diminui os recursos para outros gastos e pressiona o orçamento doméstico. Isso em um cenário de juros altos e endividamento. Em junho, 81,6% das famílias tinham algum tipo de dívida, segundo a CNC.
O relatório afirma ainda que esse desvio de recursos ajuda a explicar por que o consumo das famílias cresce menos que o esperado, mesmo com emprego e renda em alta.
Outro ponto destacado é o baixo efeito multiplicador das bets na economia. “Diferentemente dos gastos com bens e serviços, os recursos direcionados às plataformas de apostas geram menos circulação de renda, empregos e atividade econômica”.
Pix e público vulnerável
O estudo mostra que o Pix impulsionou as apostas. Antes da regulamentação, em janeiro de 2025, as transferências mensais para o setor eram de cerca de R$ 5bilhões. Depois, passaram de R$ 25 bilhões e chegaram perto de R$ 42 bilhões.
Entre outubro de 2024 e março de 2026, as bets adicionaram R$ 24,1 bilhões por mês em transações via Pix. No acumulado de 2025, foram R$ 350,97 bilhões.
O relatório também aponta participação relevante de famílias de baixa renda. Como evidência, cita a restrição do governo federal em outubro de 2025, que proibiu beneficiários do Bolsa Família e BPC de usarem recursos de benefícios nas bets. Após a medida, o crescimento das transferências via Pix caiu.
Resposta do setor
A Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) criticou o estudo. Para a entidade, o levantamento tem “erros graves”, “ignora fatores macroeconômicos” e informou que a receita bruta oficial do setor em 2025 foi de R$ 37 bilhões.
Fonte: g1