Última modificação em 21 de julho de 2026 às 16:30
Medida inclui apresentações em caneta aplicadora e autoinjetora, oferecendo mais praticidade às famílias ao reduzir a necessidade de deslocamentos até centros de infusão

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou a ampliação das indicações de dois medicamentos utilizados no tratamento do lúpus e da esclerose múltipla, permitindo o uso em crianças e adolescentes. A decisão foi publicada no Diário Oficial da União desta segunda-feira (20).
Para pacientes a partir de 5 anos com lúpus eritematoso sistêmico (LES) ativo, o medicamento Benlysta (belimumabe) passa a ser indicado como terapia complementar ao tratamento convencional. A recomendação é destinada a crianças que apresentam alta atividade da doença e já utilizam medicamentos como corticosteroides, antimaláricos, anti-inflamatórios não esteroides ou outros imunossupressores.
A ampliação inclui as apresentações em caneta aplicadora e autoinjetora, oferecendo mais praticidade às famílias ao reduzir a necessidade de deslocamentos até centros de infusão. A versão intravenosa do medicamento já era autorizada para uso pediátrico.
A Anvisa também estendeu a indicação do Ocrevus (ocrelizumabe) para adolescentes a partir de 12 anos, com peso igual ou superior a 40 quilos, no tratamento da esclerose múltipla remitente-recorrente (EMRR). O medicamento é um anticorpo monoclonal que atua reduzindo a atividade inflamatória provocada pela doença e, consequentemente, a frequência dos surtos.
O que é o lúpus?
O lúpus eritematoso sistêmico é uma doença inflamatória autoimune que pode comprometer diferentes órgãos e tecidos, como pele, articulações, rins, pulmões e cérebro. Sem tratamento adequado, os casos mais graves podem evoluir para complicações potencialmente fatais.
Os sintomas mais comuns incluem febre, dores e rigidez nas articulações, inchaços, lesões de pele que surgem ou se agravam com a exposição ao sol, aumento dos linfonodos e queda de cabelo.
Segundo a Sociedade Brasileira de Reumatologia, entre 150 mil e 300 mil brasileiros convivem com a doença, que atinge principalmente mulheres entre 20 e 45 anos. O diagnóstico é feito por meio da avaliação clínica e de exames laboratoriais e de imagem, como hemograma, exame de urina e, em alguns casos, biópsia renal. Embora não tenha cura, o tratamento ajuda a controlar a inflamação, aliviar os sintomas e prevenir complicações.
O que é a esclerose múltipla?
A esclerose múltipla é uma doença inflamatória crônica e autoimune que afeta o sistema nervoso central. Nessa condição, o sistema imunológico ataca a mielina, camada que protege as fibras nervosas, comprometendo a transmissão dos impulsos entre o cérebro e o restante do corpo.
Na forma remitente-recorrente, a mais comum da doença, o paciente apresenta surtos caracterizados pelo surgimento de novos sintomas ou agravamento dos já existentes, seguidos por períodos de recuperação parcial ou completa. Quando a doença se manifesta antes dos 18 anos, o quadro é considerado raro e costuma apresentar maior gravidade.
Os principais sintomas incluem fadiga intensa, dormência, formigamento, alterações na visão, fraqueza muscular, perda de equilíbrio e dificuldades no controle da bexiga. A doença está associada à combinação de fatores genéticos e ambientais, como infecções virais, tabagismo e obesidade. O diagnóstico é realizado por um neurologista, com apoio de exames complementares, e o tratamento busca reduzir a atividade da doença, controlar os surtos e retardar sua progressão.
Fonte: Agência Brasil