
Última modificação em 18 de maio de 2026 às 11:41
Imagem: Gerada por IA
Levantamento mais recente da Quaest indica que os pré-candidatos fora da polarização entre lulismo e bolsonarismo ainda enfrentam dificuldades para ganhar espaço na corrida presidencial de 2026. O cenário repete um padrão observado em eleições anteriores desde a redemocratização do país.
Segundo a pesquisa divulgada na última quarta-feira (13), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva aparece com 39% das intenções de voto no primeiro turno, enquanto o senador Flávio Bolsonaro soma 33%. Já os governadores Ronaldo Caiado e Romeu Zema registram 4% cada, enquanto Renan Santos tem 2%.
O levantamento também aponta que cerca de 32% do eleitorado se considera independente, sem alinhamento direto com a esquerda ou a direita. Ainda assim, especialistas avaliam que esse grupo não tem conseguido consolidar uma candidatura competitiva fora dos dois polos.
Para o cientista político Felipe Nunes, diretor da Quaest, a polarização concentra a maior parte das intenções de voto e dificulta o crescimento de alternativas. Segundo ele, a fragmentação entre possíveis nomes da terceira via acaba confundindo o eleitorado.
Na avaliação de analistas, Caiado e Zema disputam atualmente o mesmo espaço político: o eleitor antipetista que busca uma alternativa ao grupo de Lula, mas sem romper totalmente com o bolsonarismo.
Histórico mostra dificuldade da terceira via
Desde a redemocratização, nenhum candidato identificado como terceira via conseguiu vencer uma eleição presidencial no Brasil.
Em 1989, a disputa acabou polarizada entre Fernando Collor de Mello e Luiz Inácio Lula da Silva, apesar da presença de nomes tradicionais como Ulysses Guimarães, Paulo Maluf e Mário Covas.
Nas décadas seguintes, as eleições mantiveram o padrão de dois protagonistas e um terceiro candidato tentando romper a polarização. Os melhores desempenhos foram os de Marina Silva, que alcançou 21,3% dos votos em 2014, e Anthony Garotinho, com 17,8% em 2002.
Em 2018, a eleição de Jair Bolsonaro marcou o fim da polarização entre PT e PSDB, substituindo os tucanos como principal força de oposição ao lulismo.
Já em 2022, candidaturas consideradas de terceira via, como as de Simone Tebet e Ciro Gomes, ficaram distantes dos dois primeiros colocados.
Especialistas apontam apatia do eleitorado
Pesquisadores ouvidos pelo g1 afirmam que parte do eleitorado que rejeita a polarização demonstra atualmente mais descrença no sistema político do que busca efetiva por uma candidatura de centro.
Segundo Felipe Nunes, esse eleitor tende a procurar perfis outsiders, fora da política tradicional. Ele cita o crescimento de Pablo Marçal nas eleições municipais de 2024, em São Paulo, como exemplo desse movimento.
O cientista político Fernando Schuler, professor do Insper, afirma que a política brasileira mantém há décadas uma dinâmica baseada em dois campos ideológicos fortes, o que reduz o espaço para alternativas competitivas.
Já o historiador Herbert dos Anjos avalia que, após 2018, o avanço do bolsonarismo e o fortalecimento do chamado voto útil em torno de Lula dificultaram ainda mais o crescimento de candidaturas independentes.
A ex-ministra Marina Silva, que disputou a Presidência em 2010 e 2014, afirmou que suas candidaturas buscavam apresentar um novo modelo de desenvolvimento para o país, mas que a intensificação da polarização interrompeu esse avanço político.
Fonte: G1