
Última modificação em 24 de outubro de 2026 às 09:17
O último debate entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) antes do segundo turno da eleição presidencial foi marcado por discussões sobre segurança pública, economia e programas sociais, além de ataques pessoais e acusações mútuas. Transmitido pela TV Globo nesta sexta-feira (23), o encontro teve um formato mais voltado à apresentação de propostas, embora momentos de tensão tenham retomado o clima do primeiro confronto.
Flávio concentrou suas críticas no custo de vida, no endividamento das famílias e na política econômica do governo federal. O senador também defendeu medidas mais rigorosas contra a criminalidade, incluindo a redução da maioridade penal para 14 anos e a castração química para condenados por determinados crimes sexuais. Na economia, elogiou o modelo adotado pelo presidente argentino Javier Milei e defendeu ajustes fiscais no Brasil.
Lula, por sua vez, procurou associar o adversário aos interesses das elites e questionou possíveis impactos de seu governo sobre os programas sociais. O presidente também criticou a atuação de Flávio na defesa de um policial militar acusado de matar Ana Clara, menina de cinco anos, em Niterói (RJ), em 2021. O senador manifestou solidariedade à família e afirmou acreditar que o policial não foi responsável pelo disparo.
Um dos momentos mais tensos ocorreu quando Flávio fez uma referência aos nove dedos de Lula, que perdeu parte de um dedo em um acidente de trabalho. O presidente reagiu e exigiu um pedido de desculpas, que foi feito pelo senador. Flávio também reconheceu ter errado ao votar contra a ampliação da licença-maternidade quando era deputado estadual no Rio de Janeiro.
No bloco final, os candidatos trocaram acusações envolvendo o caso Banco Master e investigações relacionadas a pessoas próximas aos dois. Flávio mencionou suspeitas envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente, enquanto Lula questionou a relação do senador com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e voltou a acusá-lo de proximidade com milicianos, o que Flávio negou.
A cientista política Denilde Holzhacker avaliou que Lula tentou explorar os episódios para apresentar o adversário como insensível às questões sociais. Por outro lado, observou que a impaciência demonstrada por Flávio em alguns momentos poderia transmitir uma imagem de arrogância ao público. Lula também enfrentou dificuldades para administrar o tempo e seguir as regras do debate em determinadas respostas.
Fonte: BBC Brasil