
Última modificação em 20 de maio de 2026 às 08:30
O município de Uiramutã, no extremo Norte de Roraima, voltou a registrar o pior índice de qualidade de vida do país. Os dados são do Índice de Progresso Social (IPS) 2026, divulgado nesta quarta-feira (20), que avalia indicadores sociais e ambientais nos 5.570 municípios brasileiros.
Com nota 42,44 em uma escala de zero a 100, Uiramutã aparece na última posição do ranking nacional pelo terceiro ano consecutivo, repetindo os resultados de 2024 e 2025. O município com melhor desempenho foi Gavião Peixoto, que alcançou 73,10 pontos.
O levantamento considera 57 indicadores relacionados à oferta de serviços públicos e condições de vida da população.
Além de Uiramutã, outros dois municípios de Roraima aparecem entre os 20 piores desempenhos do país: Alto Alegre, na 5.568ª posição, com nota 44,72, e Amajari, em 5.566º lugar, com 45,58 pontos.
Necessidades básicas e bem-estar puxaram nota para baixo
Segundo o estudo, os piores resultados de Uiramutã foram registrados nas áreas de Necessidades Humanas Básicas e Fundamentos do Bem-estar, critérios nos quais o município ficou na última colocação nacional.
Na categoria Necessidades Humanas Básicas, que avalia acesso à saúde, alimentação, saneamento, moradia e segurança, a cidade recebeu nota 41,56.
Já em Fundamentos do Bem-estar, que mede indicadores como educação básica, acesso à internet, expectativa de vida e preservação ambiental, o município alcançou 49,32 pontos.
Na dimensão Oportunidades, que considera direitos individuais, inclusão social e acesso ao ensino superior, Uiramutã registrou nota 36,45.
Município mais indígena do Brasil enfrenta isolamento e pobreza
Localizado na tríplice fronteira entre Brasil, Venezuela e Guiana, Uiramutã está a cerca de 280 quilômetros de Boa Vista. O acesso ocorre principalmente por estradas de terra, e a viagem pode durar até 12 horas em períodos de chuva.
De acordo com o Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o município possui 13.751 habitantes, dos quais 96,6% se autodeclaram indígenas — a maior proporção indígena do país.
O município também registra o menor Produto Interno Bruto (PIB) per capita do Brasil, com R$ 11.985,64, segundo dados do IBGE referentes a 2020. Mais da metade da população vive com renda de até meio salário mínimo por pessoa.
Entre os principais desafios enfrentados pela cidade estão a extrema pobreza, o isolamento logístico, os altos custos de transporte e a vulnerabilidade climática.
Durante o período chuvoso, diversas comunidades ficam isoladas devido às enchentes. Em 2025, fortes chuvas destruíram pontes, afetaram plantações e interromperam aulas em dezenas de localidades indígenas. Segundo lideranças locais, mais de 60% da população foi impactada.
As enchentes também agravaram a insegurança alimentar em comunidades como Makuken, onde plantações de mandioca — base da alimentação local — foram destruídas.
Outro reflexo do isolamento é o alto custo de produtos básicos. Em março deste ano, Uiramutã registrou a gasolina mais cara de Roraima, com o litro vendido a R$ 9,29.
Boa Vista aparece na 19ª posição entre as capitais
A capital Boa Vista obteve 64,49 pontos no IPS 2026 e ocupa a 1.050ª colocação no ranking geral. Entre as 27 capitais brasileiras, a cidade aparece na 19ª posição.
No ranking por estados, Roraima ficou em 19º lugar, com média de 59,65 pontos, superando Amazonas, Rondônia, Amapá, Acre e Pará na Região Norte. Apenas Tocantins teve desempenho melhor entre os estados nortistas citados.
O IPS Brasil é coordenado pelo Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia em parceria com a organização internacional Social Progress Imperative.
Fonte: G1 RR