
Última modificação em 17 de junho de 2026 às 11:50
Dados de radares e centros meteorológicos da Europa e dos Estados Unidos apontaram a formação do chamado “Super El Niño” no Oceano Pacífico. O fenômeno tem avançado rapidamente e apresenta potencial para provocar eventos climáticos extremos em diversas partes do mundo, incluindo tempestades intensas e períodos prolongados de seca, com reflexos também em regiões do Brasil.
Segundo projeções e alertas divulgados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), pelo Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), pela Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) e pelo Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam), há mais de 80% de probabilidade de que o fenômeno se consolide durante o segundo semestre de 2026. As previsões indicam ainda que seus efeitos podem persistir pelo menos até os primeiros meses de 2027.
O El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais em áreas do Oceano Pacífico. No entanto, o fenômeno observado neste ano apresenta características mais intensas do que o padrão habitual, segundo Luis Marcelo Zeri, pesquisador do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), vinculado ao Ministério da Ciência e Tecnologia.
O especialista destaca que os dados captados por sensores de temperatura indicam que o aquecimento atual é mais intenso e abrange uma área maior do que a registrada em episódios anteriores. “Como mostram os sensores de temperatura, ele é mais intenso e cobre uma área maior do que costuma ocorrer”, afirma.
Embora tenha origem no Oceano Pacífico, o fenômeno exerce influência direta sobre as condições climáticas em diferentes regiões do planeta, incluindo o Brasil. Segundo Zeri, o aquecimento acima da média das águas oceânicas aumenta a expectativa de um evento mais forte em comparação com ocorrências passadas.
A relação entre as temperaturas do oceano e as mudanças no clima brasileiro ocorre por meio de um mecanismo conhecido como “teleconexão”, que conecta alterações atmosféricas em regiões distantes do globo.
Ainda de acordo com o pesquisador do Cemaden, a seca provocada pelo El Niño pode interferir negativamente na produção agrícola no Brasil, dependendo da região e do calendário agrícola.
“Se um evento de seca ocorre numa época de plantio, numa época mais sensível do cultivo, isso acaba impactando a safra, atrapalha todo o planejamento agrícola”, avalia.
Fonte: SBT News