Última modificação em 10 de setembro de 2026 às 09:31
Fiscalização encontrou alojamentos precários, instalações sanitárias inadequadas e ausência de espaço para refeições

Seis trabalhadores foram resgatados de condições análogas à escravidão durante uma operação de fiscalização realizada em dois locais de trabalho em Boa Vista. A ação, conduzida por Auditores-Fiscais do Trabalho, ocorreu no dia 25 de agosto e foi divulgada nesta quarta-feira (8).
Os trabalhadores atuavam na construção de cercas, criação de aves e porcos e produção de carvão. Entre os resgatados estão cinco venezuelanos.
As fiscalizações ocorreram em um sítio na região do Bom Intento, na zona Rural da capital, e em uma carvoaria localizada no Distrito Industrial, na zona Oeste. As equipes vistoriaram as frentes de trabalho e os espaços utilizados como alojamento e moradia.
Segundo a fiscalização, foram identificadas condições precárias em grande parte dos locais, incluindo superlotação, calor excessivo nos dormitórios, falta de privacidade e instalações sanitárias inadequadas. Também foram encontradas instalações elétricas improvisadas, ausência de espaço para guardar pertences e falta de local apropriado para refeições.
Trabalhador estava sem salário havia um ano e meio
No sítio localizado no Bom Intento, um trabalhador estava havia um ano e meio sem registro formal e sem receber salário. Ele atuava na construção de cercas e na criação de aves e porcos.
Na carvoaria, as outras cinco vítimas, todas venezuelanas, trabalhavam na produção de carvão e permaneciam alojadas no próprio local, em estruturas improvisadas. De acordo com a fiscalização, os trabalhadores estavam expostos a poeira e sujeira.
O coordenador da operação, auditor-fiscal do trabalho Maurício Krepsky, afirmou que as duas relações de trabalho apresentavam mecanismos que buscavam afastar os responsáveis das obrigações trabalhistas.
“A vulnerabilidade dos trabalhadores foi decisiva para que fossem reduzidos à condição análoga à escravidão, sob o falso pretexto de ajuda humanitária. Na prática, as atividades econômicas beneficiavam diretamente os proprietários das terras, que se aproveitaram dessa fragilidade para negar direitos básicos”, disse Krepsky.
Fonte: g1RR