
Última modificação em 25 de maio de 2026 às 08:27
Roraima registrou, em 2024, a maior taxa de bebês não registrados no ano de nascimento entre todos os estados brasileiros. Segundo levantamento divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o índice chegou a 13,86%, número cerca de 14 vezes superior à média nacional, de 0,95% — a menor desde o início da série histórica, em 2015.
Os dados fazem parte das Estimativas de Sub-registro de Nascimentos e Óbitos, divulgadas nesta semana pelo instituto, com base em informações dos cartórios de Registro Civil e sistemas do Ministério da Saúde.
O chamado sub-registro de nascidos vivos considera os casos em que o nascimento da criança não foi registrado em cartório dentro do prazo legal, até março do ano seguinte ao nascimento.
Enquanto Roraima aparece com o pior índice do país, o Paraná apresentou a menor taxa nacional, de apenas 0,12%, percentual aproximadamente 115 vezes menor.
De acordo com o IBGE, fatores como isolamento geográfico, baixa quantidade de cartórios, dificuldade de acesso e maior incidência de partos domiciliares ajudam a explicar os altos índices registrados no estado.
Municípios de Roraima aparecem entre os piores índices do país
Três municípios roraimenses aparecem entre os quatro piores índices nacionais de bebês sem registro no ano de nascimento.
Alto Alegre ocupa a segunda posição do ranking, com taxa de 67,97%. Logo depois aparecem Amajari, com 60,10%, e Uiramutã, com 55,58%.
Segundo o instituto, comunidades rurais e indígenas dessas regiões enfrentam dificuldades relacionadas à pobreza e ao acesso limitado a serviços básicos, cenário que contribui para a chamada “invisibilidade estatística”.
Nesta semana, dados do Índice de Progresso Social (IPS) 2026 também apontaram Uiramutã como o município com pior qualidade de vida do Brasil pelo terceiro ano consecutivo.
Além disso, Alto Alegre e Amajari figuram entre os 20 municípios com piores desempenhos no ranking nacional do IPS.
Estado também lidera subnotificação no sistema de saúde
O levantamento do IBGE revelou ainda que Roraima apresentou a maior taxa de subnotificação no Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (Sinasc), com índice de 2,73%. A média nacional foi de 0,39%.
Segundo o instituto, as dificuldades enfrentadas em regiões com menor infraestrutura de saúde e acesso limitado aos serviços comprometem a alimentação correta do sistema de dados.
Já em relação aos óbitos, Roraima registrou taxa estimada de sub-registro de 10,91% em 2024, ficando entre os cinco estados com maiores índices do país. O indicador representa mortes que não foram registradas oficialmente em cartório.
Desde 2015, a taxa nacional de subnotificação caiu 1,62 ponto percentual. Naquele ano, o índice era de 2,01%. Em 2024, o Distrito Federal apresentou o menor percentual do país, com 0,05%.
Fonte: G1 RR