
Última modificação em 24 de agosto de 2026 às 17:27
“Hoje, depois de três anos e oito meses, eu pude ir à missa. Há muito tempo eu não ia, pois estava impedida pelo STF [Supremo Tribunal Federal], mas, graças a Deus, essa etapa já passou, e, com isso tudo, a gente tem que valorizar muito a liberdade. Depois desses anos, cheia de restrições, não existe coisa mais valiosa do que a nossa liberdade”, declarou a candidata ao Senado por Roraima, Regina do Tio (Novo), nesse domingo (23), durante participação em um programa de rádio.
Na oportunidade, a empresária esclareceu os fatos que ocasionaram a sua prisão, no dia 8 de janeiro de 2023. Ela relatou que estava em uma fazenda quando decidiu viajar para a capital federal, após ver, em um grupo de Whatsapp, pessoas combinando um manifesto para o dia 9 daquele mês. “Fiquei incomodada. Tantas coisas acontecendo e a gente aqui numa bolha, só reclamando. Então falei: ‘Eu vou para Brasília’”, recordou.
Conforme a empresária, ao chegar à Brasília, os atos praticados contra os prédios dos Três Poderes já haviam ocorrido.
“Cheguei no final da tarde, já tinha acontecido aquele quebra-quebra. Entrei no quartel e já estava tudo cercado, ninguém mais podia sair. No outro dia, fui presa. Colocaram a gente em um ônibus. Depois de rodar muito, deixaram a gente em um galpão. Nos revistaram, mas nada foi encontrado. Um militar nos orientou: ‘gente, quem não quebrou nada, pode ir para suas casas’. Eu fui para fazer uma triagem.
Quando cheguei lá, tinha uma nota de culpa, dizendo que eu tinha quebrado e depredado. Olhei para o delegado e disse: ‘doutor, mas eu não fiz nada disso’. Aí, o outro delegado pegou o papel, botou ao meu lado e disse: ‘você tem que assinar. É ordem do Alexandre de Moraes’. Aí, eu falei: ‘senhor, me perdoe, mas isso aqui não condiz com a verdade, eu não vou assinar’. Então ele falou assim: ‘a conduzente se recusa a assinar’. E me encaminhou à Colmeia” [penitenciária feminina do DF]. E, assim, eu fui presa. No entanto, eu tenho uma passagem aérea que comprova que, na hora dos atos, nem em Brasília eu estava. Cheguei após, e passei 11 dias presa, e usando uma tornozeleira durante três anos e oito meses. Estava sendo sendo punida por ser de direita”, contou.
Regina comentou que essa experiência a encorajou a disputar uma vaga no senado. “Se eu passei esse tempo usando esse equipamento, nós estamos precisando de quê? De um Senado forte, de um Senado que tenha coragem”, afirmou.
Ela, também, fez críticas à situação política e institucional do país, declarando: “A nossa Constituição não está cabendo mais dentro do nosso país. Se a gente tivesse um senado forte e que não fosse omisso, eu jamais teria usado tornozeleira por tanto tempo”, ressaltou.
Mudanças políticas, economia e agronegócio
Ainda durante a entrevista, Regina defendeu mudanças na relação entre o Senado e o STF, com maior participação do plenário na análise de pedidos de impeachment de ministros da Suprema Corte, evitando que decisões desse tipo fiquem concentradas no presidente do Senado.
Na área econômica, a candidata propôs ampliar a exploração das riquezas naturais de Roraima, como minérios, petróleo e terras raras, conciliando desenvolvimento econômico e preservação ambiental; comentou a expansão de cursos técnicos no estado para qualificar mão de obra local em setores como mineração, agricultura e operação de máquinas, reduzindo a necessidade de contratação de trabalhadores de outras regiões.
O agronegócio também foi apontado por Regina como uma das prioridades para o desenvolvimento econômico de Roraima.
Por: Papo M3 Comunicação Integrada