
Última modificação em 5 de junho de 2026 às 09:30
A confirmação de um caso da chamada bicheira-do-novo-mundo, parasita cujas larvas se alimentam de tecido vivo, colocou autoridades sanitárias e pecuaristas dos Estados Unidos em estado de alerta. O registro ocorreu no Texas e representa o primeiro caso da praga no estado em quase seis décadas.
A ocorrência foi identificada em La Pryor, cidade localizada no sul do Texas, próxima à fronteira com o México. As larvas foram encontradas na região do umbigo de um bezerro com apenas três semanas de vida. De acordo com autoridades agrícolas, o animal recebeu tratamento e tem boas chances de recuperação.
As infestações provocadas pela bicheira-do-novo-mundo podem causar dores intensas, hemorragias, infecções secundárias e forte odor nas feridas. Sem tratamento adequado e imediato, o animal pode morrer em cerca de dez dias.
O maior temor das autoridades sanitárias dos Estados Unidos está relacionado aos impactos econômicos de um eventual surto em larga escala. Especialistas alertam que a disseminação da praga pelo Texas poderia resultar em prejuízos bilionários para a pecuária, reduzir o tamanho dos rebanhos e pressionar ainda mais os preços da carne no país.
A bicheira-do-novo-mundo foi considerada erradicada do território continental americano em 1966, após décadas de combate que incluíram a liberação de milhões de moscas machos estéreis para interromper o ciclo reprodutivo da espécie.
O tratamento dos animais infectados envolve o uso de medicamentos antiparasitários, a retirada manual das larvas e a higienização das lesões. Nos casos mais graves, quando o comprometimento do animal é extenso, o sacrifício pode ser a única alternativa.
Risco de infecção em humanos
Embora represente uma ameaça, principalmente para a pecuária, a bicheira-do-novo-mundo também pode atingir seres humanos. Os casos são incomuns, mas tendem a ocorrer com maior frequência entre trabalhadores rurais, pessoas com feridas expostas, indivíduos imunossuprimidos e aqueles que permanecem longos períodos em áreas externas.
Nos humanos, a infestação pode provocar lesões dolorosas que se agravam rapidamente, além de sangramentos e da sensação de movimentação das larvas sob a pele. Em situações mais graves, os parasitas podem se instalar em regiões sensíveis do corpo, como olhos, nariz, boca e ouvidos.
Apesar disso, as autoridades sanitárias afirmam que o risco para a população em geral permanece baixo. Isso porque a transmissão não ocorre de pessoa para pessoa nem por contato direto entre animais. A infestação acontece apenas quando a mosca deposita seus ovos em uma ferida aberta.
Em 2025, os Estados Unidos registraram o primeiro caso humano da doença em décadas. O paciente havia retornado de uma viagem a El Salvador, país onde a praga é considerada endêmica, e se recuperou após receber tratamento adequado.
Fonte: R7