Última modificação em 24 de agosto de 2026 às 09:31
Estado contesta decisão de ministro Nunes Marques e afirma que candidatura do ex-deputado pode gerar insegurança jurídica nas eleições de 2026

O Governo de Roraima recorreu ao Supremo Tribunal Federal (STF) para tentar derrubar a decisão do ministro Nunes Marques que suspendeu os efeitos eleitorais da cassação do ex-deputado estadual Jalser Renier (PSDB), e abriu espaço para que ele dispute as eleições de 2026.
O recurso foi protocolado pela Procuradoria-Geral do Estado de Roraima (PGE-RR) na última quinta-feira (20). O governo contesta a decisão tomada pelo ministro em 5 de agosto e sustenta que a candidatura de Jalser pode provocar insegurança jurídica no processo eleitoral.
Governo aponta risco no cálculo das vagas
No recurso, o Estado pede que Nunes Marques reconsidere a decisão e restabeleça os efeitos eleitorais da cassação de Jalser. Uma das alegações apresentadas é de que uma eventual anulação dos votos obtidos pelo ex-deputado após a eleição poderia interferir no cálculo das vagas da Assembleia Legislativa de Roraima (ALE-RR) e alterar a composição do Legislativo estadual.
A preocupação do governo é que uma mudança posterior no resultado eleitoral provoque impactos na distribuição das cadeiras e gere questionamentos sobre a validade do processo.
O que diz Jalser Renier
Procurado, Jalser Renier criticou a iniciativa do governo. O ex-deputado afirmou que a administração estadual está “perdida e sem bússola, atrás de levar todos para o buraco com ele”. Em seguida, declarou: “Desse buraco eu já saí!!”.
Cassação e inelegibilidade
Renier foi deputado estadual e presidente da ALERR. Em fevereiro de 2022, ele teve o mandato cassado pelo Legislativo por quebra de decoro parlamentar, após um processo instaurado na Casa.
A cassação ocorreu após ele ser acusado de ser o mandante do sequestro do jornalista Romano dos Anjos, ocorrido em 2020. Desde então, o ex-deputado vinha recorrendo à Justiça para tentar reverter a decisão.
A cassação resultou em inelegibilidade até 2030. Em abril deste ano, o STF havia negado um novo recurso apresentado pela defesa e mantido a restrição. No último dia 5, porém, Nunes Marques suspendeu os efeitos eleitorais da cassação, permitindo que Jalser participe do pleito deste ano. Agora, o Governo de Roraima tenta reverter essa decisão no próprio STF.
Fonte: g1 RR