
Última modificação em 8 de outubro de 2026 às 09:00
O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) afirmou nesta quarta-feira (7) que a declaração sobre “mudar a Constituição para redemocratizar o país” se referia a propostas que pretende defender caso seja eleito, como a reforma do Supremo Tribunal Federal (STF), a redução da maioridade penal e o fim da reeleição presidencial.
“Vocês acham que o Brasil está numa democracia plena? Não. A gente tem que respeitar a política, tem várias PECs [propostas de mudanças na Constituição] que são possíveis”, declarou.
O candidato também defendeu mudanças no Judiciário e na reforma tributária aprovada pelo Congresso. Segundo ele, algumas alterações precisam ser feitas por meio de propostas de emenda à Constituição (PECs).
“Tem que haver, sim, uma reforma no Judiciário. Eu sou a favor da redução da maioridade penal há bastante tempo, tem que ser feito por PEC. Tem pontos da reforma tributária que têm que ser alterados por PEC. E o fim da reeleição”, afirmou.
Na terça-feira (6), durante uma visita a Goiânia, Flávio havia dito que pretendia aproveitar a maioria conquistada por seu partido e aliados no Congresso nas eleições de domingo (4) para promover mudanças na Constituição, sem especificar quais seriam as alterações. A declaração foi feita ao lado de Ronaldo Caiado (PSD), candidato derrotado no primeiro turno que anunciou apoio à candidatura de Flávio.
Questionado pela imprensa sobre o assunto, o senador adotou um tom mais moderado e afirmou que pretende respeitar a Constituição e as instituições democráticas.
“Comigo vai ser sempre com ponderação, com respeito à política e honrando e respeitando cada seguimento da sociedade aqui representado nesses parlamentares, não só os deputados estaduais e federais que estão aqui, mas os governadores, as candidatas ao governo que estão concorrendo ainda, os senadores”, disse.
Flávio também rebateu críticas de que uma eventual maioria no Congresso poderia permitir que ele adotasse medidas semelhantes às atribuídas ao pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, no contexto da trama golpista.
“Eu já vi gente começar a dizer: ‘Ah, agora o Flávio com esse Congresso com ampla maioria, vai fazer o que o pai dele não fez [no caso da trama golpista]. Vamos parar de mentir, vamos aterrissar no mundo real”, declarou.
A reforma do Judiciário já consta no programa de governo do candidato, com propostas voltadas principalmente ao STF, incluindo mudanças nas decisões monocráticas, tomadas individualmente por ministros.
A redução da maioridade penal de 18 para 16 anos também é uma das propostas defendidas por Flávio. A medida exige alteração do artigo 228 da Constituição e, por isso, depende da aprovação de uma PEC.
Fim da reeleição
Flávio Bolsonaro afirmou ainda que não pretende disputar a reeleição caso seja eleito presidente da República. Segundo ele, a decisão sobre o fim da possibilidade de um segundo mandato consecutivo dependerá do Congresso Nacional.
O PL, partido do candidato, elegeu 121 deputados federais nas eleições de domingo (4), formando a maior bancada de uma legenda na Câmara dos Deputados desde a Constituição de 88.
Fonte: g1