
Última modificação em 15 de maio de 2026 às 10:44
Mulheres com câncer de mama que utilizaram medicamentos da classe dos agonistas do receptor de GLP-1, indicados para diabetes tipo 2 e obesidade, apresentaram menor risco de morte e de recorrência da doença, segundo um estudo realizado nos Estados Unidos.
A pesquisa analisou dados de mais de 841 mil pacientes atendidas em 68 instituições de saúde norte-americanas entre 2006 e 2023. Após ajustes estatísticos, os pesquisadores observaram taxas mais elevadas de sobrevida em mulheres que utilizaram medicamentos da classe GLP-1 em comparação com pacientes que não fizeram uso das substâncias ou que receberam outros tratamentos para diabetes.
Entre os principais resultados, o estudo identificou redução de aproximadamente 60% no risco de mortalidade em cinco e dez anos entre usuárias de GLP-1. Em pacientes com obesidade, a taxa de sobrevida em cinco anos foi de 97,4% entre usuárias dos medicamentos, contra 93,2% entre não usuárias. Após dez anos, os índices foram de 96% e 88,6%, respectivamente.
Já entre mulheres com diabetes tipo 2, as pacientes que utilizaram GLP-1 apresentaram taxas de sobrevida de 96,9% em cinco e dez anos. Entre aquelas tratadas com insulina ou metformina, os percentuais ficaram em 82,3% e 76,4%.
Os pesquisadores também identificaram menor risco de recorrência do câncer entre usuárias dos medicamentos. No entanto, ao comparar os agonistas de GLP-1 com os inibidores de SGLT2 — outra classe usada no tratamento do diabetes — não houve diferença significativa nos resultados.
Apesar dos achados considerados promissores, os autores ressaltam que o estudo é observacional e não comprova relação direta de causa e efeito. Por isso, defendem a realização de ensaios clínicos randomizados para confirmar os resultados.
Segundo os pesquisadores, obesidade e diabetes estão associados a pior prognóstico no câncer de mama, aumentando o risco de progressão da doença, recorrência e redução da sobrevida. Estudos anteriores já sugeriam que medicamentos da classe GLP-1 poderiam ter efeitos sobre o crescimento tumoral.
Entre as possíveis explicações para os resultados, os cientistas apontam que os medicamentos podem contribuir para redução da obesidade, melhora metabólica e diminuição da inflamação, fatores associados a melhores desfechos clínicos. Também existe a hipótese de efeitos diretos sobre mecanismos ligados ao desenvolvimento do câncer.
Os autores destacam, porém, limitações importantes na pesquisa, como o uso exclusivo de dados de pacientes dos Estados Unidos, ausência de informações sobre adesão ao tratamento e falta de acompanhamento detalhado sobre perda de peso das pacientes.
A principal autora do estudo, Kristina L. Tatum, afirmou que, caso futuras pesquisas confirmem os resultados, os dados poderão ajudar na elaboração de orientações clínicas para o uso de terapias com GLP-1 em pacientes com câncer de mama e doenças metabólicas.
Fonte: G1