Última modificação em 31 de julho de 2026 às 09:32
De acordo com o prefeito da cidade, aproximadamente 60 mil pessoas entraram no território espanhol nos últimos dias; número representa mais da metade da população, estimada em cerca de 85 mil habitantes

O Ministério do Interior da Espanha informou nesta sexta-feira (31) que, segundo estimativas preliminares, cerca de 49 mil migrantes cruzaram a fronteira em direção ao enclave espanhol de Ceuta, no Norte da África, nas últimas 24 horas. As travessias ocorreram por terra e pelo mar, a partir do Marrocos.
De acordo com o prefeito de Ceuta, Juan Jesús Vivas, aproximadamente 60 mil pessoas entraram no território espanhol nos últimos dias. O número representa mais da metade da população do enclave, estimada em cerca de 85 mil habitantes.
Espanha e Marrocos reforçaram a segurança na fronteira nesta sexta-feira e, aparentemente, conseguiram interromper as travessias em massa. A chegada de milhares de pessoas por terra e pelo mar deixou pelo menos 34 mortos, segundo as informações divulgadas pelas autoridades.
A crise provocou repercussão em diferentes países da Europa. A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, chegou a ameaçar suspender a participação do país no Espaço Schengen com a Espanha, diante do aumento do fluxo migratório.
Nos acessos a Ceuta, autoridades marroquinas utilizaram caminhões equipados com canhões de água para dispersar grupos que tentavam atravessar a fronteira. Nas proximidades, foram encontrados os restos carbonizados de um ônibus e de sete carros, após confrontos envolvendo a multidão.
O governo espanhol informou que pretende iniciar o retorno dos migrantes que entraram irregularmente no território o mais rápido possível. A medida, no entanto, deverá respeitar uma decisão judicial que estabeleceu novas restrições às regras especiais de “rejeição de fronteira”, utilizadas para permitir devoluções imediatas.
O primeiro-ministro Pedro Sánchez tinha previsão de visitar Ceuta nesta sexta-feira, acompanhado do ministro do Interior, Fernando Grande-Marlaska.
Maior crise migratória desde 2021
Ceuta e Melilla são cidades autônomas espanholas localizadas no Norte da África e representam os únicos territórios da União Europeia com fronteira terrestre direta com o continente africano. As duas cidades registram, periodicamente, aumentos nas tentativas de travessia de migrantes que buscam chegar à Europa.
No entanto, a entrada de quase 50 mil pessoas em apenas um dia é considerada um episódio sem precedentes. O governo espanhol classificou a situação como a maior crise migratória enfrentada pelo país desde pelo menos 2021.
O ministro da Política Territorial da Espanha, Ángel Víctor Torres, afirmou que um dos fatores que pode ter contribuído para o aumento das tentativas de travessia foi uma decisão do Supremo Tribunal espanhol, publicada no início deste mês. A medida impede a devolução sumária de migrantes interceptados no mar enquanto tentavam chegar a Ceuta ou Melilla, conforme regras especiais adotadas pelo país.
Em entrevista a uma rádio local, Torres afirmou que o governo reagiu imediatamente ao aumento do fluxo migratório e que pretende promover o retorno dos migrantes, respeitando as decisões judiciais e os direitos das pessoas envolvidas.
Fonte: CNN Brasil