
Última modificação em 23 de abril de 2026 às 10:50
A atividade econômica da Argentina apresentou, em fevereiro, a maior retração desde 2023, indicando perda de ritmo após meses de ajuste fiscal e contração do consumo. Os dados foram divulgados por órgãos oficiais nesta semana.
O recuo foi disseminado entre setores estratégicos, como indústria, construção e comércio, mais sensíveis ao aperto monetário e à queda da renda real. Segundo o Instituto Nacional de Estadística y Censos (Indec), a produção industrial caiu 3,2% em janeiro de 2026 na comparação anual, enquanto a construção recuou 1,3% em fevereiro frente a janeiro.
O cenário ocorre em meio à política econômica do presidente Javier Milei, baseada em cortes de gastos públicos e desregulação. Embora a estratégia tenha contribuído para a desaceleração da inflação mensal, também intensificou a retração econômica no curto prazo.
A queda do poder de compra da população e a paralisação de obras públicas têm reduzido a demanda interna. Ao mesmo tempo, empresas operam com elevada capacidade ociosa e estoques ajustados, refletindo o enfraquecimento da atividade.
O desempenho da economia também impacta a percepção externa do país. Analistas indicam que a Argentina deve enfrentar dificuldades para retornar à condição de mercado emergente antes de 2028, devido a fatores como restrições cambiais, histórico de inadimplência e baixa liquidez de ativos — elementos que limitam a entrada de investidores estrangeiros.
Apesar do cenário recessivo, alguns indicadores apontam estabilização parcial. A inflação perdeu força em relação aos picos do ano anterior, e o país voltou a registrar superávit fiscal primário, resultado de cortes em subsídios e despesas correntes.
Ainda assim, a melhora nas contas públicas não se traduziu em recuperação econômica. No curto prazo, o desempenho dependerá da capacidade do governo de recompor salários reais e estimular investimentos sem comprometer o equilíbrio fiscal.
Fonte: O Amtagonista