Última modificação em 2 de agosto de 2026 às 16:23
Contrário à medida, MPF entrou com ação civil pública para suspender a decisão; já a Unica defende que a mudança garante mais segurança energética e ajuda a segurar o preço dos combustíveis

Aprovado recentemente pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), o aumento da mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina, que passa de 30% para 32%, o chamado E32, voltou a acender o debate sobre impactos no bolso do consumidor e no funcionamento dos veículos.
Contrário à medida, o Ministério Público Federal (MPF) entrou com ação civil pública para suspender a decisão. Já a União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) defende que a mudança garante mais segurança energética e ajuda a segurar o preço dos combustíveis.
Os argumentos do MPF
Para os procuradores, os estudos que embasaram o E32 “não demonstraram de forma conclusiva” os efeitos da nova mistura na durabilidade de peças, nas emissões, na autonomia e na compatibilidade com diferentes tipos de veículos.
Na ação, o MPF cita risco de corrosão, desgaste em bombas de combustível e falhas na injeção eletrônica, com atenção maior para motocicletas, carros antigos e modelos importados. Outro ponto é que os testes usados foram feitos para o E30 e não validam especificamente o uso permanente do E32.
O MPF pede ainda perícia técnica independente e mais estudos sobre os impactos ambientais indiretos.
A defesa da Unica
A Unica afirma que o aumento do etanol fortalece a segurança energética do país e reduz a dependência da gasolina importada.
Segundo a entidade, “não há evidências de impactos” sobre desempenho, dirigibilidade, partida a frio, consumo, emissões ou funcionamento dos motores com o E32.
A Unica cita testes coordenados pelo Ministério de Minas e Energia e realizados pelo Instituto Mauá de Tecnologia com veículos leves e motos fabricados entre 1994 e 2024.
“Mesmo os veículos mais antigos avaliados não apresentaram impactos em partida, marcha lenta, aceleração ou dirigibilidade com a utilização do E32”, destacou.
Para o setor, o ganho também é econômico. A estimativa é de deixar de importar 800 milhões de litros de gasolina por ano. A Unica calcula que, sem o etanol, o preço dos combustíveis teria subido R$ 8 bilhões nos últimos três meses.
Fonte: Agência Brasil