
Última modificação em 30 de abril de 2026 às 09:47
O Brasil alcançou a 52ª posição no Ranking Mundial da Liberdade de Imprensa de 2026, divulgado nesta quinta-feira (30) pela Repórteres Sem Fronteiras. Com o resultado, o país ultrapassou pela primeira vez os Estados Unidos, que aparecem na 64ª colocação.
Desde 2022, o Brasil subiu 58 posições no levantamento global. Em relação a 2025, o avanço foi de 11 colocações. Na América do Sul, o país ficou atrás apenas do Uruguai, que ocupa a 48ª posição.
Segundo a organização, o desempenho brasileiro contrasta com a deterioração observada em grande parte do mundo.
“Trata-se de um avanço muito expressivo em um contexto em que a maioria dos países tem vivido um cenário de deterioração”, afirmou o diretor da RSF para a América Latina, o jornalista brasileiro Artur Romeu.
De acordo com ele, a melhora brasileira ocorre após os anos de tensão registrados durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, marcados por ataques frequentes a jornalistas.
“Um dos marcadores é um cenário de volta à normalidade, a uma relação institucional dentro de um ambiente democrático entre um governo e a imprensa”, afirmou Romeu.
Outro fator apontado pela entidade foi a ausência de assassinatos de jornalistas no Brasil desde a morte do jornalista Dom Phillips, em 2022, na Amazônia. Entre 2010 e 2022, 35 jornalistas foram assassinados no país.
A RSF também destacou medidas adotadas pelo Brasil para fortalecer a proteção ao trabalho da imprensa, como a criação de um Observatório Nacional de Violência contra Jornalistas e a adoção de protocolos para investigação de crimes contra profissionais da comunicação.
“O Brasil tem observado uma agenda da regulação das plataformas, de inteligência artificial, da defesa da integridade da informação e do enfrentamento à desinformação”, destacou Artur Romeu.
Apesar da melhora, a organização alertou para desafios persistentes no país, como campanhas de ódio contra jornalistas, ações judiciais consideradas abusivas e episódios de criminalização da atividade jornalística.
“Há um cenário de criminalização do jornalismo, que é quando através de legislações são usadas para calar a imprensa”, afirmou o diretor da entidade.
Situação global preocupa
O relatório aponta que, pela primeira vez na história do ranking, mais da metade dos países do mundo vive situação considerada “difícil” ou “grave” para a liberdade de imprensa.
Nos Estados Unidos, a RSF afirmou que os ataques à imprensa se tornaram uma prática recorrente durante o governo do presidente Donald Trump. O país caiu sete posições no ranking deste ano.
Segundo o relatório, o cenário nas Américas é marcado por “retórica hostil”, restrições jurídicas, limitações ao acesso à informação pública e uso do sistema judicial contra jornalistas.
A Argentina, sob o governo de Javier Milei, caiu para a 98ª posição após perder 11 colocações neste ano. Desde 2022, a queda acumulada é de 69 posições.
Entre os países americanos, o Canadá aparece como o melhor colocado, na 20ª posição. Já Nicarágua, Cuba e Venezuela seguem entre os piores desempenhos da região.
Globalmente, o ranking é liderado pela Noruega, seguida por Holanda e Estônia. As últimas posições pertencem a Irã, China, Coreia do Norte e Eritreia.
Fonte: Agência Brasil