
Última modificação em 8 de maio de 2026 às 09:35
O Brasil registrou um recorde histórico no número de transplantes realizados em 2025. Ao todo, foram 31 mil procedimentos em todo o país, um crescimento de 21% em relação a 2022, quando foram contabilizados 25,6 mil transplantes.
O aumento é atribuído ao fortalecimento da logística do Sistema Único de Saúde (SUS), à ampliação do acesso aos procedimentos e à melhoria na articulação entre estados para o transporte de órgãos e equipes médicas. O avanço foi especialmente importante para transplantes de órgãos mais sensíveis ao tempo de isquemia, como coração, pulmão e fígado.
A distribuição interestadual de órgãos, coordenada pela Central Nacional de Transplantes, foi apontada como decisiva para os resultados alcançados. Em 2025, a estratégia possibilitou 867 transplantes renais, 375 hepáticos, 100 cardíacos, 25 pulmonares e quatro de pâncreas.
O Ministério da Saúde destacou ainda a parceria com companhias aéreas e com a Força Aérea Brasileira (FAB) para garantir o transporte rápido de órgãos e equipes de captação. No ano passado, foram realizados 4.808 voos, número 22% maior que o registrado em 2022.
Outro fator apontado para o crescimento foi o aumento das equipes de captação de órgãos. O número de profissionais passou de 1.537, em 2022, para 1.600 em 2026, ampliando a capacidade de identificação de potenciais doadores em diferentes regiões do país.
Apesar dos avanços, a recusa familiar ainda é considerada um dos principais desafios do sistema. Atualmente, cerca de 45% das famílias não autorizam a doação de órgãos, o que reduz o número de transplantes possíveis. O Ministério da Saúde reforça a importância de conversar sobre o desejo de ser doador com familiares, para facilitar a decisão em momentos de luto.
Capacitação de profissionais
Para fortalecer o Sistema Nacional de Transplantes (SNT), o Ministério da Saúde também tem investido na qualificação de profissionais por meio do Programa Nacional de Qualidade na Doação de Órgãos e Tecidos para Transplantes (PRODOT).
A iniciativa capacita equipes de saúde para identificar potenciais doadores, conduzir entrevistas com acolhimento às famílias e aprimorar todo o processo de doação. Mais de 1.085 profissionais já foram formados nos estados do Acre, Amazonas, Amapá, Pará, Rondônia, Tocantins, Distrito Federal, Mato Grosso, Goiás, Alagoas, Paraíba, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe.
Transplante de córnea lidera número de cirurgias
O transplante de córnea foi o procedimento mais realizado em 2025, com 17.790 cirurgias. Em seguida aparecem os transplantes de rim, com 6.697 procedimentos; medula óssea, com 3.993; fígado, com 2.573; e coração, com 427.
Todos os procedimentos são oferecidos gratuitamente pelo SUS, incluindo exames preparatórios, cirurgia, acompanhamento médico e medicamentos pós-transplante. Atualmente, o sistema público financia cerca de 86% dos transplantes realizados no país.
O investimento federal no Sistema Nacional de Transplantes também aumentou. Em 2022, os recursos destinados ao setor somaram R$ 1,1 bilhão. Já em 2025, o valor chegou a R$ 1,5 bilhão, crescimento de 37%.
Modernização do sistema
O acesso ao transplante de órgãos, tecidos e medula óssea ocorre por meio do Sistema Nacional de Transplantes. Para entrar na lista de espera, o paciente deve ser encaminhado a uma unidade de saúde habilitada, onde passa por avaliação médica especializada e realiza exames específicos.
Nos últimos anos, o sistema passou por modernização com a adoção de novas tecnologias. Entre elas está a Prova Cruzada Virtual, ferramenta que permite avaliar previamente a compatibilidade entre doador e receptor, reduzindo riscos de rejeição e dando mais agilidade ao processo de transplante.
Fonte: Ministério da Saúde
Por: M3 Comunicação Integrada