
Última modificação em 6 de novembro de 2026 às 11:45
Lideranças do PT começaram a defender, nesta semana, que o presidente Lula busque uma saída jurídica para reduzir o período de prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro. A articulação, segundo informações do jornal Folha de São Paulo, estaria relacionada à possibilidade de diminuir as tensões entre os Poderes e facilitar a aprovação de pautas do governo no Congresso Nacional.
Na avaliação de integrantes do núcleo mais próximo do petismo, a eventual libertação de Bolsonaro poderia contribuir para melhorar a relação entre os três poderes. A medida também poderia reduzir as pressões por pedidos de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), especialmente Alexandre de Moraes, e evitar novos conflitos entre o Parlamento e a Corte.
O debate sobre a anistia ou redução das penas de Bolsonaro também ganhou espaço nas articulações em torno da eleição para a presidência do Senado. Parlamentares do Centrão, incluindo integrantes da base governista, teriam sinalizado ao presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), disposição para apoiar uma proposta de liberdade ao ex-presidente, desde que ele permaneça inelegível durante o cumprimento da pena de 27 anos e três meses e que o benefício também alcance os condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023.
Alcolumbre indicou nesta semana que poderia colocar em votação um projeto de anistia como parte das negociações para conseguir apoio à sua tentativa de permanecer no comando do Senado. A possibilidade, porém, enfrenta resistência entre parlamentares de centro.
Embora parte desses congressistas considere que houve excessos nas decisões do ministro Alexandre de Moraes, eles avaliam que Bolsonaro não deveria ficar completamente livre de responsabilização pela tentativa de golpe.
Uma das alternativas discutidas seria preservar os efeitos da condenação de 27 anos e três meses apenas em relação à perda dos direitos políticos, permitindo que o ex-presidente deixasse a prisão. A proposta é apontada como uma possível saída para o impasse nas negociações.
Outro ponto envolve os demais condenados pelos atos de 8 de janeiro. Parlamentares do Centrão defendem que pessoas envolvidas nos episódios, como Débora Rodrigues, conhecida como “Débora do Batom”, também sejam beneficiadas. Na avaliação desse grupo, manifestantes deveriam responder apenas por crimes relacionados à depredação do patrimônio público.
As negociações também envolvem o STF. Alcolumbre pretende buscar o compromisso de setores da direita para que concentrem esforços em uma reforma estrutural do Judiciário e deixem de pressionar pelo impeachment de ministros da Corte.
Parlamentares de partidos como PSD e MDB avaliam que a manutenção da inelegibilidade de Bolsonaro poderia facilitar um entendimento com o STF. A avaliação de Alcolumbre é que a discussão sobre anistia perdeu força após a derrota de Flávio Bolsonaro (PL) na disputa pela Presidência da República.
Fonte: O Antagonista