Última modificação em 24 de julho de 2026 às 10:45
Em contrapartida, estado apresentou aumento no número de pessoas localizadas

Roraima registrou 577 casos de pessoas desaparecidas em 2025, um aumento de 6% em relação aos 528 registros de 2024, segundo o 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).
O crescimento supera a média nacional, que foi de 3,6%, e reforça a necessidade de ampliar as ações de prevenção, investigação e localização de pessoas desaparecidas.
Em todo o Brasil, foram contabilizados 84.269 desaparecimentos em 2025, contra 81.040 no ano anterior. De acordo com o levantamento, após a queda registrada durante a pandemia de Covid-19, os casos voltaram a crescer de forma contínua desde 2021.
Mais pessoas localizadas
O estado também apresentou aumento no número de pessoas localizadas. Em 2025, 248 pessoas foram encontradas, frente às 225 localizadas em 2024.
O Anuário, no entanto, ressalta que esse dado não representa, necessariamente, a solução dos casos registrados no mesmo período. Isso porque os estados utilizam metodologias diferentes para contabilizar as localizações e nem sempre informam se a pessoa foi encontrada com vida ou morta, se havia boletim de ocorrência vinculado ou quando ocorreu o desaparecimento. Dessa forma, não é possível calcular a taxa de resolução dos casos.
Desaparecimentos têm diferentes causas
O estudo destaca que o desaparecimento de uma pessoa pode ocorrer por diversos motivos e não está, obrigatoriamente, relacionado à prática de um crime.
Segundo a pesquisadora Deise Nunes, responsável pelo capítulo sobre o tema no Anuário, entre as principais causas estão conflitos familiares, transtornos de saúde mental, violência doméstica, uso abusivo de álcool e drogas, acidentes, exploração sexual, tráfico de pessoas e casos relacionados à violência letal, quando corpos são ocultados para dificultar investigações.
A pesquisadora observa que a legislação brasileira reúne todas essas situações em uma única categoria estatística, sem diferenciar a natureza do desaparecimento. Essa padronização limita análises mais detalhadas e dificulta a criação de políticas públicas específicas para cada realidade.
Crime organizado pode explicar parte dos casos
O Anuário aponta que, em algumas regiões do país, o aumento dos desaparecimentos pode estar ligado à atuação de organizações criminosas.
Uma das hipóteses levantadas pelos pesquisadores é a ocultação de homicídios para dificultar investigações. Apesar disso, o relatório destaca que não há evidências de que essa seja a principal causa do crescimento dos desaparecimentos em Roraima, nem nos demais estados, sendo necessária a investigação individual de cada ocorrência.
Perfil das pessoas desaparecidas
Dados da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), citados pelo Anuário, mostram que a maioria das pessoas desaparecidas no Brasil é formada por homens entre 18 e 59 anos, que representam 64,4% dos registros.
A população negra — formada por pessoas pretas e pardas — corresponde a 45,2% dos casos. O relatório, contudo, ressalta que ainda existem falhas no preenchimento de informações sobre raça e cor.
Para o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o avanço dos desaparecimentos reforça a necessidade de aperfeiçoar os sistemas de registro, integrar bancos de dados entre os estados e fortalecer as políticas de busca, investigação e apoio às famílias, garantindo respostas mais rápidas e maior compreensão das causas desse fenômeno.
Fonte: Folha BV