
Última modificação em 17 de outubro de 2026 às 14:31
A abstenção de eleitores com mais de 70 anos caiu quase 10 pontos percentuais no primeiro turno das eleições, segundo levantamento do Movimento Voto 70+, iniciativa apartidária da sociedade civil que defende a participação política dos idosos.
De acordo com dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) reunidos pelo movimento, o percentual de eleitores nessa faixa etária que não foram votar passou de 58,8% em 2022 para 49,1% no primeiro turno de 2026.
No eleitorado geral, a abstenção em 2026 foi de 21,08%, o que representa 33 milhões de brasileiros que deixaram de votar.
O voto é facultativo para eleitores com mais de 70 anos, assim como para analfabetos e jovens de 16 a 18 anos. Eleitores com mais de 80 anos têm prioridade nas filas.
Segundo a Corte, o comparecimento dos idosos com voto facultativo no primeiro turno foi de:
- 70 a 74 anos: 68,77%
- 75 a 79 anos: 52,23%
- 80 a 84 anos: 37,12%
- 85 a 89 anos: 24,30%
- 90 a 94 anos: 13,46%
- 95 a 99 anos: 4,34%
Mais eleitores idosos
A redução da abstenção ocorreu em um cenário de crescimento do eleitorado. O número de aptos a votar com mais de 70 anos passou de 14,9 milhões em 2022 para 17,2 milhões em 2026. Considerando os com mais de 60 anos, o grupo chega a 36,8 milhões.
Para a idealizadora do Movimento Voto 70+, Cléa Klouri, o aumento do comparecimento é um avanço importante.
“Estamos falando de uma geração que ajudou a construir o país e que continua tendo muito a contribuir para as decisões sobre o próprio futuro”, afirma.
A pesquisadora Adriana de Queiroz explica que, para entender o não comparecimento, o movimento conduziu a pesquisa exploratória “Retratos do Voto 70+: descobertas sobre a abstenção eleitoral”.
O estudo identificou três perfis entre os eleitores 70+ que deixaram de votar ou não tinham certeza se iriam comparecer em 2026: o eleitor com “baixa autoestima política”, que acredita que seu voto não faz diferença; o que considera que o resultado da eleição já não terá impacto sobre sua vida; e o que deseja votar, mas enfrenta barreiras físicas, como filas, distância do local de votação ou dependência de terceiros.
“Entender essas diferenças é importante para compreender por que um eleitorado que cresce tão rapidamente continua apresentando níveis tão elevados de abstenção”, afirma Adriana, pesquisadora do Data8, centro de pesquisa sobre a economia da longevidade.
Segundo turno
O Movimento Voto 70+ pretende ampliar o debate sobre os obstáculos que dificultam o comparecimento, como limitações de mobilidade, ausência de redes de apoio e etarismo.
No segundo turno, o comparecimento dos 70+ conta com um incentivo: o voto pode ser utilizado pelo INSS para a prova de vida automática de aposentados, pensionistas e beneficiários de programas assistenciais. Em 2026, a medida vale inclusive para quem não votou no primeiro turno.
Fonte: Agência Brasil