
Última modificação em 8 de setembro de 2026 às 10:31
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, determinou, nesta terça-feira (8), o afastamento de Andrei Rodrigues dos cargos de delegado e diretor-geral da Polícia Federal (PF). A decisão atende a um pedido apresentado pelo Partido Novo, que também havia solicitado a prisão do chefe da corporação.
Além de Andrei Rodrigues, o diretor de Inteligência Policial da PF, Leandro Almada, também foi afastado. A liminar foi submetida ainda nesta terça-feira ao referendo da Segunda Turma do STF.
Mendonça determinou que a Corregedoria da PF instaure procedimentos administrativo-disciplinares contra os dois servidores. O ministro também estabeleceu que eventuais medidas consideradas necessárias durante as investigações sejam submetidas a ele.
O ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, será intimado para cumprir a decisão.
Mendonça questiona relatórios de inteligência
Na decisão, Mendonça classificou como grave e ilícita a produção dos relatórios de inteligência divulgados pelo ministro Alexandre de Moraes.
“A superlativa gravidade e ilicitude na produção dos ‘relatórios de inteligência’ publicizados pelo ministro Alexandre de Moraes impõe a adoção de providências imediatas para evitar que as prerrogativas da magistratura, da advocacia pública e da própria atividade policial continuem sendo ofendidas”, afirmou.
Relator das operações ‘Compliance Zero’, relacionada ao caso Master, e ‘Sem Desconto’, sobre fraudes no INSS, Mendonça também criticou a decisão de Moraes que determinou a entrega de relatórios de inteligência da PF que mencionassem ministros do Supremo.
O magistrado se referiu ao material como um “documento” e afirmou que o conteúdo seria “apócrifo, sem timbre ou qualquer outro símbolo gráfico capaz de lhe empregar o mínimo grau de legitimidade e confiabilidade, inviabilizando qualquer conferência quanto à sua autoria e data de elaboração”.
Relatórios citavam atuação de Mendonça
A determinação de Moraes ocorreu no mesmo dia em que Mendonça retirou o sigilo de um relatório que reunia mensagens enviadas a ele pelo banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
Em um dos relatórios, havia alegações de que Mendonça estaria conduzindo irregularmente delações premiadas, interferindo na estrutura administrativa da PF e selecionando alvos por razões pessoais ou políticas.
Moraes utilizou os relatórios no inquérito das fake news para reagir às revelações relacionadas à sua atuação. Posteriormente, o presidente do STF, Edson Fachin, retirou o episódio do inquérito e determinou a abertura de um procedimento específico para tratar da divergência entre os ministros.
Entidades criticaram circulação dos documentos
Na decisão, Mendonça também mencionou uma nota pública da União dos Profissionais de Inteligência de Estado da Abin (Intelis) e declarações do presidente da Associação dos Delegados da Polícia Federal (ADPF), Edvandir Felix de Paiva.
Paiva criticou a divulgação dos documentos e afirmou que se tratavam de “impressões internas” que não poderiam “de maneira algua circular fora da polícia”.
Fonte: Gazeta do Povo