
Última modificação em 2 de setembro de 2026 às 11:35
A Petrobras reajustou, em média, 13,9% o preço do querosene de aviação (QAV) vendido às distribuidoras. O novo valor passou a valer a partir desta terça-feira (1º). Segundo a estatal, o aumento está relacionado à alta das cotações internacionais do combustível em meio às tensões geopolíticas no Oriente Médio e aos impactos do conflito sobre a logística do setor de petróleo.
Com o reajuste, o QAV ficou, em média, R$ 0,68 mais caro por litro. Nas refinarias da Petrobras, os preços passaram a variar entre R$ 5,44 e R$ 5,70 por litro. Na comparação com agosto, a maior alta chega a 14,34%, em São Luís (MA). O menor reajuste é de 13,51%, em Canoas (RS).
Por contrato, o preço do combustível comercializado pela Petrobras às distribuidoras é atualizado no primeiro dia de cada mês. O QAV é utilizado por aviões e helicópteros.
O combustível representa cerca de 30% dos custos operacionais das companhias aéreas brasileiras, de acordo com a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).
Conflito no Oriente Médio pressiona preços
Desde o início do ano, o preço do QAV acumula alta de 53,3%, o equivalente a R$ 1,94 a mais por litro. A guerra envolvendo os Estados Unidos, Israel e Irã provocou impactos na cadeia logística da indústria do petróleo e contribuiu para a alta dos preços internacionais.
Um dos principais pontos de preocupação é o Estreito de Ormuz, passagem marítima localizada ao sul do Irã. Antes do conflito, cerca de 20% da produção mundial de petróleo e gás passava pela região.
Apesar de o Brasil ser produtor de petróleo, os preços do produto e de seus derivados são influenciados pelo mercado internacional por se tratarem de commodities negociadas globalmente.
Reajustes anteriores
Em abril, o QAV teve um aumento de 55%. No mês seguinte, houve nova alta, de 18%. Para reduzir o impacto dos reajustes sobre o caixa das companhias aéreas, a Petrobras permitiu que as distribuidoras parcelassem os aumentos.
Com a redução das tensões em alguns períodos, a estatal chegou a diminuir o preço do combustível em junho e julho. Em agosto, porém, o QAV voltou a subir, com alta de 1,9%.
A Petrobras explica que o preço praticado no Brasil segue uma fórmula paramétrica prevista em contrato, que funciona como um mecanismo de amortecimento no curto prazo e pode resultar em reajustes menores do que os observados no mercado internacional.
Petrobras retoma parcelamento
A estatal informou que retomou, em setembro, o programa de parcelamento dos reajustes. Com a medida, as distribuidoras poderão dividir o aumento em três parcelas mensais.
“A iniciativa permitirá que as distribuidoras parcelem o aumento em três parcelas mensais, reduzindo o impacto financeiro”, declarou a Petrobras. A empresa também informou que todo o volume de QAV solicitado pelas distribuidoras está garantido.
Como funciona a venda do QAV
A Petrobras comercializa o combustível produzido em suas refinarias ou importado pela companhia para as distribuidoras. Depois da compra, as empresas ficam responsáveis pelo transporte e pela venda do QAV às companhias aéreas, outros consumidores finais e revendedores nos aeroportos.
A Petrobras responde por, aproximadamente, 85% da produção nacional de QAV. O mercado, entretanto, é aberto à concorrência, permitindo a atuação de outras empresas na produção e na importação do combustível.
Fonte: Agência Brasil