Última modificação em 25 de agosto de 2026 às 08:43
Aumento de 7,4% eleva despesas públicas, mas aumenta poder de compra da população

O salário mínimo deverá subir dos atuais R$ 1.621 para R$ 1.741 em 2027, segundo projeção apresentada nesta segunda-feira (24) pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan. A estimativa será incluída no Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA), que o governo deve encaminhar ao Congresso Nacional até 31 de agosto.
Se confirmado, o reajuste será de R$ 120, equivalente a 7,4%. O novo cálculo também supera em R$ 24 a previsão de R$ 1.717 apresentada pelo governo em abril, durante o envio do projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO).
O salário mínimo serve de referência para diversos benefícios previdenciários e assistenciais. Por isso, o aumento impacta tanto a renda de milhões de brasileiros quanto as despesas do governo.
“Cumprindo a legislação brasileira, dentro do nosso espírito de privilegiar a população mais carente, vai também para a Previdência e para os benefícios sociais que têm indexação no salário mínimo”, afirmou Durigan.
Valor ainda pode mudar
Apesar da nova projeção, os R$ 1.741 não são o valor definitivo. O piso será definido no fim de 2026, após a divulgação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) acumulado até novembro.
O indicador mede a inflação das famílias com renda de até oito salários mínimos. A regra atual considera a inflação medida pelo INPC e um ganho real de 2,5%, respeitando os limites previstos na legislação.
Dessa forma, caso a inflação fique diferente da estimativa utilizada pelo governo, o valor final do salário mínimo também poderá sofrer alteração.
Reajuste aumenta despesas públicas
A elevação do piso nacional tem impacto direto nas contas públicas. Cerca de 45% dos benefícios do Regime Geral da Previdência Social (RGPS) estão vinculados ao salário mínimo.
Entre os pagamentos afetados estão aposentadorias e pensões do INSS, Benefício de Prestação Continuada (BPC), seguro-desemprego e abono salarial. A contribuição previdenciária dos Microempreendedores Individuais (MEIs) também é calculada com base no piso nacional.
Quanto maior o reajuste, portanto, maior tende a ser a despesa do governo com benefícios vinculados ao salário mínimo.
Impacto no consumo
O aumento também pode estimular o consumo, principalmente entre famílias de menor renda, que costumam destinar uma parcela maior dos recursos para despesas básicas.
Ao mesmo tempo, o impacto nas contas públicas reduz o espaço para outras despesas do governo. A definição do salário mínimo envolve, assim, o equilíbrio entre aumento da renda, preservação do poder de compra e controle dos gastos públicos.
Segundo Durigan, o Orçamento de 2027 será elaborado considerando esse cenário, com manutenção do ganho real do salário mínimo e medidas para conter o crescimento de outras despesas obrigatórias.
“Para o ano que vem, a gente projeta o aumento das obrigatórias um pouco inferior ao aumento geral do orçamento. As medidas têm o condão de dar racionalidade, de que modo que a regra com ganho real do arcabouço fiscal vai ter um ganho real maior do que as obrigatórias amplamente consideradas”, argumentou o ministro.
PLOA será enviado ao Congresso
O PLOA ainda passará pela análise dos parlamentares. O valor definitivo do salário mínimo será conhecido somente em dezembro, após a divulgação do INPC de novembro. Caso a projeção atual seja confirmada, o piso de R$ 1.741 começará a valer em janeiro de 2027.
Fonte: Agência Brasil