
Última modificação em 24 de agosto de 2026 às 15:35
A Secretaria de Saúde (Sesau) está organizando a rede pública de saúde de Roraima para os possíveis impactos da estiagem, das queimadas e do fenômeno El Niño.
Gestores e coordenadores da pasta se reuniram na semana passada, no Comitê de Emergências em Saúde Pública, para avançar na elaboração do Plano de Contingência Estadual e definir estratégias de resposta. O planejamento considera diferentes cenários climáticos, com possível aumento de doenças respiratórias e hídricas, arboviroses e casos de queimaduras.
Também estão previstas medidas para garantir a continuidade do atendimento em municípios que possam ter dificuldade de acesso ou ficar isolados. Entre os pontos discutidos estão a apresentação do Plano de Contingência Estadual para Seca, Estiagem e Incêndios Florestais, a matriz de responsabilidades e a criação dos grupos de trabalho El Niño e AdaptaSUS.
Segundo a secretária-adjunta de Saúde, Juliana Gomes, a antecipação permite organizar a rede antes do agravamento dos cenários.”A ideia desse comitê e dessa equipe toda reunida é justamente fazer com que a gente consiga amenizar os agravos do momento que a gente vai viver, do El Niño e também da dengue. Quanto mais cedo a gente reúne e vê quais são as estratégias que vamos adotar, menos a população vai sentir o que está por vir”, afirmou.
Atendimento nos municípios
Uma das frentes é manter a capacidade de atendimento no interior, principalmente quando o deslocamento fica mais difícil. A proposta é garantir que casos que podem ser resolvidos na rede municipal sejam atendidos localmente, reduzindo transferências para Boa Vista.
O plano prevê ainda monitorar a estrutura de retaguarda dos municípios que possam ficar isolados, levantar a logística necessária para assegurar a assistência, incluindo o atendimento infantil, e ampliar a oferta de soro de reidratação oral nas Unidades Básicas de Saúde, diante do risco de desidratação com altas temperaturas e baixa umidade.
O objetivo é evitar sobrecarga nos serviços da capital e garantir que os municípios tenham condições de fazer o atendimento inicial e acompanhar casos de menor complexidade.
Monitoramento dos agravos
A vigilância em saúde também faz parte do planejamento. O acompanhamento dos registros de atendimento permite identificar mudanças no perfil dos agravos e orientar medidas conforme a evolução do cenário epidemiológico. As arboviroses seguem entre os agravos monitorados.
Embora não tenha sido identificada neste ano circulação do vírus da chikungunya em Roraima, o histórico de transmissão mantém a vigilância como medida prevista.
Grupo de trabalho
A partir da reunião, será formado um grupo de trabalho com representantes de diferentes coordenadorias da Sesau para concluir o plano de contingência, definir fluxos e responsabilidades e organizar planos de ação para os diversos cenários. Segundo o gerente do Núcleo de Vigilância em Desastres da Sesau, Guaracy Lavor, a integração entre os setores é essencial para uma resposta rápida.
“Vamos, a partir de agora, fazer um grupo de trabalho com todas as coordenadorias para criar normatizações, fluxos, concluir o plano de contingência e fazer planos de ação para que a Secretaria de Saúde e o setor saúde possam responder o mais rápido e efetivo possível à população atingida por esse fenômeno e pelos seus agravos”, explicou.
Fonte: Secom-RR