
Última modificação em 22 de agosto de 2026 às 11:04
O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, e representantes do Ministério das Relações Exteriores devem se reunir na próxima semana com o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) para retomar as negociações comerciais entre os dois países.
A data ainda será definida pelas equipes. O MDIC confirmou que recebeu contato do representante comercial americano, Jamieson Greer, após o telefonema desta sexta-feira (21) entre os presidentes Lula (PT) e Trump.
A retomada das conversas abre um novo canal de diálogo entre Brasília e Washington em meio ao impasse provocado pelas tarifas impostas pelos americanos sobre produtos brasileiros.
Ligação presencial
Lula ligou para Trump na manhã desta sexta. A conversa durou 1h20 e, segundo o Planalto, foi cordial.
O presidente brasileiro defendeu a volta das negociações e disse que as justificativas dos EUA para as novas tarifas são infundadas. Entre os pontos citados pelos americanos estão desmatamento, acordos preferenciais, propriedade intelectual, combate à corrupção, Pix, etanol e importações de produtos associados a trabalho forçado.
Lula afirmou que as tarifas prejudicam os dois países e que o diálogo é o caminho para preservar a relação comercial. Trump, de acordo com o governo brasileiro, concordou sobre a importância de manter os laços e sinalizou a retomada do contato entre as equipes.
Em nota conjunta, MDIC e MRE avaliaram que o gesto dos dois presidentes cria uma nova oportunidade para uma solução negociada.
Além das tarifas, Lula e Trump trataram de segurança e combate ao crime organizado.
Lula defendeu atuação conjunta e disse que facções pressionam populações vulneráveis, mas não devem ser equiparadas a organizações terroristas. Citou medidas adotadas pelo Brasil, como ações de asfixia financeira que resultaram na apreensão de cerca de R$ 17 bilhões, a Lei Antifacção e a criação do Centro de Cooperação Policial Internacional da Amazônia, em Manaus.
Segundo o Planalto, Trump demonstrou disposição para ampliar a cooperação e disse que vai indicar integrantes de alto escalão para dar sequência às tratativas.
Os presidentes também falaram sobre as guerras na Ucrânia e no Oriente Médio.
Sobre o conflito entre Rússia e Ucrânia, defenderam a necessidade de uma saída negociada. Lula criticou a falta de atuação do Conselho de Segurança da ONU e sugeriu a convocação de uma reunião extraordinária para discutir alternativas diplomáticas.
Trump ainda tratou das perspectivas americanas para o conflito com o Irã. Lula afirmou: “Os grandes líderes não são aqueles que iniciam guerras, mas aqueles que põem fim aos conflitos”.
Fonte: Agência Brasil