Última modificação em 7 de agosto de 2026 às 10:12
Justiça Federal determinou que todos fiquem com o passaporte retido e não deixem o país; quem estiver no exterior deverá retornar

A Polícia Federal (PF) concluiu nesta quinta-feira (6) o inquérito sobre a queda do avião da Voepass em Vinhedo, SP, em agosto de 2024. Foram indiciadas 16 pessoas ligadas à companhia. O acidente com o ATR 72-500 deixou 62 mortos e nenhum sobrevivente.
Entre os indiciados está o presidente da Voepass, José Luiz Felício Filho. A Justiça Federal determinou que todos fiquem com o passaporte retido e não deixem o país. Quem estiver no exterior deverá retornar. Agora, o Ministério Público Federal (MPF) vai analisar o inquérito e decidir quem será denunciado.
Quem foi indiciado e por quê
Quinze pessoas responderão por atentado contra a segurança do transporte aéreo. A pena é de 4 a 12 anos, que dobra para 8 a 24 anos por causa das mortes.
Foram indiciados: o presidente da empresa, o diretor de manutenção, o diretor de operações, o chefe dos pilotos, o diretor de segurança operacional, gestores do CCO e do MCC, o inspetor técnico responsável pela manutenção na Anac, além do comandante do voo anterior ao acidente e do mecânico.
Outra pessoa, o comandante do voo da madrugada que pilotou o mesmo avião, foi indiciada por falsidade ideológica.
O que apontou a investigação
Segundo a PF, a aeronave não tinha condições de voar naquele dia. O sistema de degelo e o limpador do para-brisa estavam inoperantes, mesmo com previsão de gelo severo e chuva.
Mesmo assim, a empresa autorizou a decolagem. Durante o voo, os pilotos receberam alertas do sistema, incluindo a luz de “master caution”, mas não tomaram providências, diz a PF.
O delegado André Ribeiro, chefe da PF em Campinas, afirmou que havia uma “cultura de omissão” na Voepass. “Não era uma cultura de quem estava ali na ponta no dia-a-dia do mecânico da pista, não, era uma cultura de uma omissão implementada na empresa”.
A PF também constatou que problemas semelhantes já tinham ocorrido em voos anteriores. Pilotos eram orientados pela empresa a não reportar falhas no relatório pós-voo para a aeronave não ficar parada.
“A investigação comprova que havia, por parte da chefia dos pilotos, e da direção de operações [da companhia], orientação para não reportar as falhas”, disse o delegado.
A PF pediu à Justiça o compartilhamento de todas as informações com a Anac e com a Procuradoria da República no DF para apurar falhas na fiscalização.
Famílias
Familiares das vítimas acompanharam a conclusão do inquérito em São Paulo. “Aquelas ações eram criminosas, eles eram profissionais, eles sabiam o que estavam fazendo”, disse Fátima Albuquerque, da Associação de Familiares das Vítimas. A associação informou que vai entrar com ação coletiva por danos morais contra a Voepass.
Fonte: Agência Brasil