Última modificação em 28 de julho de 2026 às 17:04
Documento apontava, principalmente, a relação de proximidade entre Infantino e Trump, além de um suposto envolvimento do mandatário norte-americano na revogação do cartão vermelho aplicado ao atacante Balogun

A Comissão de Ética do Comitê Olímpico Internacional (COI) decidiu não abrir investigação contra o presidente da Fifa, Gianni Infantino, após uma denúncia apresentada pela organização de direitos humanos Fair Square, que acusou o dirigente de violar o princípio da neutralidade política durante a Copa do Mundo.
A denúncia apontava, principalmente, a relação de proximidade entre Infantino e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, além de um suposto envolvimento do mandatário norte-americano na revogação do cartão vermelho aplicado ao atacante norte-americano, Folarin Balogun.
Em comunicado divulgado na última sexta-feira (24), o COI afirmou que o caso está fora do alcance do Código de Ética da entidade.
“A atual reclamação, no que diz respeito ao presidente da FIFA, refere-se apenas às decisões da federação internacional sobre sua governança e gestão, incluindo suas relações com o governo, e à implementação, por parte da federação, das regras de seu esporte; ambos os aspectos estão fora do escopo de aplicação do Código de Ética do COI”, informou o Comitê.
Infantino é membro do COI e, conforme a Carta Olímpica, compromete-se a atuar de forma independente de interesses comerciais e políticos.
Relação com Trump motivou questionamentos
A Fair Square sustentou que a proximidade entre Infantino e Trump levantava dúvidas sobre a imparcialidade da Fifa. Entre os episódios citados está a participação do dirigente, em fevereiro, no chamado “Conselho da Paz” promovido pelo presidente dos EUA, ocasião em que usou um boné com as inscrições “USA” e “45-47”, em referência aos dois mandatos presidenciais do líder norte-americano.
Outro ponto destacado foi a anulação do cartão vermelho de Balogun durante a Copa do Mundo. Trump afirmou, publicamente, ter interferido na decisão após conversar com Infantino.
Infantino confirmou que recebeu a ligação, mas negou qualquer influência política sobre o processo disciplinar.
“Sim, discuto regularmente assuntos relacionados à Copa do Mundo com o presidente, e, nesse contexto, recebi uma ligação dele [Trump], assim como recebo contatos de chefes de Estado, autoridades governamentais, representantes do futebol e executivos de todo o mundo sobre diversos assuntos”, afirmou.
Infantino ressaltou ainda que respeita a autonomia dos órgãos disciplinares da Fifa. “Leio as decisões do Comitê Disciplinar da FIFA assim que são emitidas. Às vezes, fico surpreso com elas, outras, concordo ou discordo. No entanto, o que sempre faço é respeitar essas decisões e a autonomia dos órgãos que as tomam. Se gostamos ou não pessoalmente de uma decisão, isso é irrelevante”, declarou.
Veja a íntegra da nota do COI
A Comissão de Ética do COI analisou minuciosamente a denúncia apresentada pela FairSquare.
A Comissão observou que, de acordo com a Carta Olímpica, cada Federação Internacional (FI) mantém sua independência e autonomia em sua governança. O âmbito de aplicação do Código de Ética do COI em relação às Federações Internacionais e aos seus dirigentes é especificamente limitado às suas relações com o COI.
A Comissão de Ética do COI constatou que a presente denúncia, inclusive no que diz respeito ao presidente da FIFA, refere-se apenas às decisões da Federação Internacional sobre sua governança e administração, incluindo suas relações com governos, bem como à implementação, pela Federação Internacional, das regras de sua modalidade esportiva. Ambos os temas estão fora do escopo de aplicação do Código de Ética do COI.
Consequentemente, a denúncia está fora da jurisdição da Comissão de Ética do COI. A FairSquare foi informada dessa decisão.
Independentemente dessa denúncia, conforme reafirmado na recente Sessão do COI, o COI continuará seus esforços para fortalecer a boa governança em todo o Movimento Olímpico e promover maior clareza quanto aos respectivos papéis, responsabilidades e prestação de contas das organizações que o compõem.
Fonte: ge