Última modificação em 24 de julho de 2026 às 15:30
Estudo inédito na América Latina mostra que a vacina contra o vírus já trouxe impacto real no país.

Entre 2016 e 2017, 14,98% dos jovens já tinham sido infectados por pelo menos um dos quatro tipos de HPV presentes na vacina. Já entre 2020 e 2023, esse índice caiu para 7,95%.
Os dados são da pesquisa Pop-Brasil, realizada pelo Hospital Moinhos de Vento em parceria com o Ministério da Saúde (MS). Na primeira etapa foram analisadas amostras de 6.388 pessoas não vacinadas. Na segunda, mais de 10 mil pessoas, vacinadas e não vacinadas. Todas as coletas aconteceram em unidades de saúde.
O público-alvo nos dois períodos foi de jovens entre 16 e 25 anos. Segundo a médica epidemiologista Eliana Wendland, líder do estudo, essa é a faixa com maior prevalência do vírus por coincidir com o início da vida sexual. “Essa faixa etária também foi escolhida porque todo mundo ali já deveria ter sido vacinado”, explica.
Mas a cobertura ficou abaixo do esperado. Apenas 61,8% das meninas e mulheres e 31,1% dos meninos estavam vacinados. A meta recomendada é de 90%.
Mesmo assim, a vacina mostrou resultado. Entre as mulheres, a prevalência dos tipos de HPV da vacina caiu de 15,6% na primeira fase para 3,1% entre as vacinadas na segunda fase.
O estudo também identificou “efeito rebanho”. “Nós também percebemos nas meninas um efeito populacional da vacinação. Mesmo entre aquelas que não foram vacinadas, nós tivemos uma diminuição da prevalência de HPV”, afirma Eliana. Entre as não vacinadas, o índice ficou em 10,5% na segunda fase. Isso ocorre porque alta cobertura reduz a circulação do vírus e protege toda a população.
Entre os homens vacinados, a prevalência caiu de 13,8% para 4,6%. Já entre os não vacinados não houve mudança significativa, o que segundo Eliana se deve à baixa cobertura masculina. “Esse achado não é inesperado, uma vez que os meninos costumam receber menos incentivo à vacinação contra o HPV do que as meninas, em parte porque o vírus ainda é amplamente percebido como uma causa predominantemente do câncer do colo do útero”, destaca o artigo que será publicado na revista NPJ Vaccines.
Vacina é eficaz até em dose única
Outro ponto importante: a prevalência geral de HPV, considerando todos os subtipos, subiu de 46,7% para 56,6%. Ou seja, caiu apenas para os tipos cobertos pela vacina.
A pesquisa também mostrou que o esquema de dose única adotado pelo SUS em 2024 é eficaz. Não houve diferença na prevalência entre quem tomou uma, duas ou três doses.
A vacina do SUS começou em 2014 para meninas e foi estendida aos meninos em 2017. Hoje é indicada para crianças e adolescentes de 9 a 14 anos, além de grupos vulneráveis como imunossuprimidos, vítimas de violência sexual e pessoas com lesões precursoras no colo do útero.
O HPV é o principal causador do câncer de colo de útero, mas também pode causar câncer de pênis, ânus e garganta. A vacina oferecida pelo SUS protege contra os quatro principais tipos oncogênicos.
Fonte: Agência Brasil